Rio, 27 (AE) - O advogado Carlos Kenigsberg, que defende o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o "Telmo", deu entrada hoje no pedido habeas-corpus com liminar para o cliente.
Isto significa que a decisão judicial poderá sair em até 48 horas, sem necessidade de aguardar o julgamento do mérito. "Telmo", principal suspeito do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está com prisão preventiva decretada desde a semana retrasada.
Kenigsberg havia prometido apresentar "Telmo" hoje à Justiça. Mas, segundo ele, agora vai esperar pela liminar. Se a juíza da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio, Cláudia Valéria Fernandes, não acatar o pedido, o agente só será apresentado após a decisão de mérito.
O advogado garantiu que "Telmo" está no Rio. A juíza decretou hoje o fim do sigilo judicial do inquérito do grampo. Segundo a Assessoria de Imprensa da Justiça Federal, o conteúdo das fitas e disquetes apreendidos na casa de "Telmo" no dia 19 permanece, porém, sob segredo de Justiça.
Kenigsberg afirmou que o ex-policial Célio Arêas da Rocha, que incriminou "Telmo" num depoimento em juízo e está sob a Lei de Proteção à Testemunha, quer livrar-se de uma condenação por extorsão e roubo. Os advogados do ex-policial dizem que ele está recorrendo de uma pena de nove anos, mas Kenigsberg garantiu que a condenção é de 14 anos e 7 meses. "Em função disso, decidi pedir o habeas", afirmou.
No início, o advogado pensou em entrar com o pedido de revogação da prisão de "Telmo". O advogado de Rocha, Nélio Andrade, informou que vai pedir à juíza que sejam ouvidos o especialista em segurança Bechara Jalkh, e Waldeci Alves - apontado por Rocha como uma pessoa que trabalha com escuta clandestina. "Eles vão corroborar a história do Célio", garantiu.
Jalkh, no entanto, afirmou que o dossiê entregue por Rocha à Justiça não tem credibilidade. "Ele misturou um monte de informações e nada faz sentido", disse.
Quando for chamado para depor na Polícia Federal (PF), o que deverá acontecer esta semana, o major reformado do Exército Divany Carvalho Barros, de 66 anos, vai negar ser "sócio"de "Telmo". Barros é apontado no dossiê de Rocha como integrante do esquema de escuta telefônica clandestina que atua no Rio.
"Sou amigo do Telmo, mas não trabalhamos juntos", afirmou o major. "Meu negócio é segurança física, pessoal e patrimonial", garantiu. Barros afirmou ter sido o responsável pela coordenação da segurança da portaria e do serviço de limpeza da sede da Odebrecht no Rio. "Eu organizava a segurança dos camarotes deles no sambódromo", contou.

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