São Paulo, 07 (AE) - O advogado Luiz Carlos de Arruda Camargo requereu hoje ao procurador-geral da Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Guimarães Marrey, afastamento do promotor Roberto Porto das investigações sobre a Máfia dos Fiscais. Porto integra a força-tarefa que apura as supostas irregularidades em órgãos da administração municipal. Arruda Camargo acusa o promotor de ter coagido Dolírio Lamonica Teixeira, acusado de participação em esquema de propina na Administração Regional de São Miguel Paulista, durante seu interrogatório na polícia, no dia 03. Porto classificou a representação de "procedimento típico da criminalidade organizada, na tentativa de desestabilizar as investigações".
Na representação, o advogado acusa o promotor de tentar constranger seu cliente a "falsear os fatos", dizendo-lhe, em tom colérico, o seguinte: "Seu marginal, pilantra, vagabundo, ladrão! Confesse logo e entregue seu chefe, o vereador Armando Mellão, ou você ficará preso pelo menos seis meses enquanto o vereador fica solto, seu idiota bobo. Se você entregar o vereador e os outros, você volta hoje mesmo para casa; fala logo
seu ladrão vagabundo". Para Arruda Camargo, o promotor violou dispositivo da Lei Orgânica do Ministério Público que aponta entre os deveres da categoria "tratar com urbanidade as partes, funcionários e auxiliares da Justiça.
O promotor Roberto Porto afirmou que durante todo tempo em que o investigado permaneceu na delegacia estavam presentes dois advogados, "que podem comprovar a maneira cortês como o ele foi tratado. Sequer foram usadas algemas", lembrou. Porto acrescentou que existe "forte prova de sua participação no esquema de arrecadação de propinas", referindo-se a Teixeira.

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