Advogado pede a prisão de Ricardo Mansur16/Mar, 20:50 Por Carla Jimenez São Paulo, 16 (AE) - O advogado José Carlos Etrusco Vieira, síndico da massa falida da holding Barnet, entrou com uma petição na 12ª Vara Cível da capital para pedir a prisão do empresário Ricardo Mansur na tarde de hoje. A Barnet teve sua falência decretada no dia 25 de fevereiro e era detentora das ações da Mappin Investimentos e da Mesbla S.A. Se o juiz responsável acatar o pedido, esse será o segundo pedido de prisão do ex-rei da nata, que há alguns meses fixou residência em Londres. O primeiro foi feito pelo juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18.ª Vara de Falências de São Paulo, no dia 23 de fevereiro, por considerar que haviam sinais de desvio de bens e de favorecimento de credores na gestão da rede de varejo Mappin e da Mesbla. As duas tiveram a falência decretada entre agosto e setembro de 1999 e deixaram um passivo que pode chegar a R$ 6 bilhões. Vieira alega que a ausência do empresário ao depoimento sobre a falência da Barnet na segunda-feira é injustificada. "Conforme o depoimento da própria filha, Paola, Mansur tinha conhecimento da falência e deveria ter comparecido para depor", diz o advogado, que também considerou haver sinais de desvio fraudulento de bens da Barnet em prejuízo dos seus credores. Cinco propriedades que estavam em nome do grupo foram repassadas para as filhas Marie Mansur Bonomi e Paola Mansur a título de pagamento da participação acionária das duas na holding. Três casas, incluindo a mansão do Morumbi, onde moram Patrícia, mulher do empresário, e a própria Paola, uma fazenda em Avaré e uma chácara em Rio Pardo foram entregues às duas filhas. Aconselhadas pela pai, elas montaram uma nova empresa, a Market Consul toria e Leilões Ltda., para registrar os imóveis. " Na época, nós duas éramos casadas e foi um meio de manter o patrimônio na família", diz Paola, que hoje está separada. Bloqueio de bens - O advogado José Carlos Etrusco Vieira está entrando com um pedido de arrecadação dos bens em nome da Barnet. Na lista declarada pelo ex-diretor da holding, Roberto Realsi Citadella, que também depôs segunda-feira, constam alguns terrenos, 16 veículos, um apartamento duplex e até mesmo cavalos e avestruzes. A idéia, segundo Vieira, é pedir o arresto de bens para leiloá-los e pagar os credores da Barnet. Mansur já teve alguns bens bloqueados pela Justiça por conta da falência do banco Crefisul no início de 1999. As cinco propriedades em nome das filhas, por meio da empresa Market, também devem entrar no pedido de arrecadação de bens para o pagamento de credores da Barnet por estarem dentro do chamado "termo legal" - todos os bens em nome da empresa até 60 dias retroativos antes do primeiro protesto contra a mesma podem ser bloqueados. Vieira estima que só a mansão do Morumbi vale R$ 1,4 milhão, de acordo com a escritura apresentada no processo. Outra operação é questionada na petição do síndico da Barnet. Dois dos cinco imóveis da Market Consultoria foram gravados em hipoteca para uma terceira empresa, a Hermannn Beteiligungsgeesellschaft M.B.H do Brasil Ltda., representada por Aluisio José Giardino, que foi diretor de outra empresa do Grupo Mansur, o Crefisul Factoring. "Isso significa que Giardino pode se tornar um dos credores da Barnet e assim Mansur pode receber de volta parte dos bens penhorados", explica um especialista na área . O contador Mauro Ramos de Carvalho e a funcionária Milena Cunha, que constam como diretores da Barnet, não compareceram a juízo e também podem ser notificados. Na petição de Vieira, os dois são descritos como prováveis "laranjas" da empresa por terem assumido os cargos pouco antes da falência. Procurada hoje, Milena disse que não tinha conhecimento da necessidade de comparecer ao fórum na segunda-feira para depor. Questionada sobre o período em que exerceu a função de diretora da Barnet, Milena não soube responder. "Não me lembro quando entrei como diretora da empresa", contou a ex-funcionária.

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