Advogado paranaense assume hoje a presidência da Funai
Giovani Ferreira
De Curitiba
O advogado paranaense Carlos Frederico Marés de Souza Filho assume hoje a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai). Trabalhando há mais de 20 anos na defesa de causas indígenas, Marés ganhou notoriedade nacional, destacando-se como um dos principais conhecedores da cultura e dos problemas dos índios no Brasil. Aliado do senador Roberto Requião (PMDB/PR), ele garante que a sua indicação é exclusivamente técnica, não existindo nenhuma relação política na escolha de seu nome.
Marés explicou que assume o cargo com o compromisso de colocar em prática os direitos adquiridos pelos índios na Constituição de 1988. Na sua avaliação, o Brasil possui, teoricamente, a melhor política indigenista da América Latina. O problema, lamenta Marés, é que ela não vem sendo colocada em prática. De acordo com o advogado, os direitos dos índios já estão assegurados legalmente, precisando apenas, com base nesses direitos, que sejam desenvolvidos mecanismos de proteção da comunidade indígena.
Diante dessa realidade, Marés pretende implementar uma política de trabalho voltada para o resgate, preservação e identidade do índio. Uma das principais preocupações do novo presidente da Funai é o processo de extinção dos povos indígenas. Hoje, os índios são em aproximadamente 300 mil em todo o País, distribuídos em várias tribos e divididos em 170 povos. Na época do descobrimento do Brasil, há 500 anos, eles passavam dos 5 milhões.
Com exceção dos estados de Roraima, Pará e Amazônia, o Paraná possui uma das maiores concentrações de índios do Brasil. Atualmente estima-se que a população indígena no Estado seja superior a 20 mil pessoas. Os principais problemas no Paraná, além da questão envolvendo a demarcação de terras, está na dificuldade em levar educação, saúde e alimentação às comunidades indígenas paranaenses. Segundo Marés, esses problemas são comuns em todo o território nacional.
O advogado não soube precisar o valor do orçamento da Funai para o ano 2000. Estima-se que ele seja parecido com o deste ano R$ 300 milhões. Na avaliação de Marés, os recursos são poucos, levando em conta que seriam apenas R$ 1 mil por índio/ano. Porém, apesar das dificuldades financeiras, Marés acredita que pode desenvolver um bom trabalho na Funai, considerando principalmente a aproximação que teve com os povos indígenas durante as mais de duas décadas que trabalhou em prol da causa.





