Advogado nega interlocução de pedidos de propina
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Marcelo Ventura e Guilherme Scarance 
Guarulhos, SP, 07 (AE) - O advogado e ex-secretário-adjunto de Governo da prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo, Paulo Magalhães, apontado pelo prefeito Jovino Cândido (PV) como interlocutor dos pedidos de propina dos vereadores, negou hoje que tenha sido procurado pelos parlamentares por esse motivo. Magalhães informou que os vereadores pediam apenas "benefícios" para alguns bairros e assuntos "pertinentes ao cargo".
Ele admitiu ter recebido todos os vereadores na sala dele na prefeitura, mas disse que nunca foi "intermediário" de negociatas. Cândido aponta outros três interlocutores de um suposto esquema de extorsão.
De acordo com as gravações encaminhadas ao Ministério Público Estadual (MPE) nesta semana, o prefeito cita o ex-secretário de Governo José Pedro Chebatt, o atual, Ernesto Milagre, e o superintendente do Serviço Autônomo de água e Esgoto (Saae), Mario Rifai, por ter presenciado pedidos dos parlamentares. Cândido ainda aponta empresários da cidade que teriam se oferecido para intermediar acordos.
"Estou indignado de meu nome ter sido citado, pois jamais houve pedido de dinheiro", disse. Na fita, ele é tratado como "Ratão". "Essas pessoas nem têm intimidade de me chamar assim."
Magalhães informou que atuava numa sala anexa ao gabinete e, quando o assunto era particular, apenas levava o parlamentar a Cândido. "Atendia a vereadores e população, além de filtrar o que e quem iria ao prefeito."
A reportagem procurou os outros interlocutores citados. Rifai e Milagre, que continuam no governo, tomaram o mesmo procedimento de Cândido: falarão na Justiça. "Só vou me pronunciar no MPE", disse Milagre. "Mas adianto que nunca gravei nada." No escritório de Chebatt, a informação era de que ele estava viajando.
Outros dois citados por Cândido nas gravações negaram o teor das conversas. O industrial Carlos Roberto de Campos, que se candidatou a prefeito pelo PSDB nas eleições passadas, informou ter sido procurado pelo prefeito para ajudar o governo, mas nunca pediu secretarias ou conversou sobre como extrair dinheiro do caixa da prefeitura. "Cândido está fora do eixo."
O dono da Quitaúna, empresa que recolhe lixo, Antonio Nour, disse que nunca fez pagamentos a vereadores, como foi citado na representação. O empresário Osias Vaz, do ramo de transporte, vai falar na Justiça.


