Advogado não quer Meira na reconstituição do crime
Agência Estado
De São Paulo
O promotor de Justiça Norton Geraldo Rodrigues da Silva, designado para acompanhar o inquérito que apura a morte de três pessoas no MorumbiShopping, na quarta-feira passada, disse ontem que o Ministério Público faz questão de realizar, ainda esta semana, a reconstituição do crime praticado pelo estudante de medicina Mateus da Costa Meira deverá ser feita sexta-feira. Segundo Rodrigues da Silva, o trabalho é necessário para restabelecer a dinâmica dos fatos. No entanto, o advogado do estudante, Eduardo Pizarro Carnelós, afirmou que o acusado não vai participar desta reconstituição. Ele vai se recusar e pronto, disse.
O promotor ponderou, entretanto, que a presença de Meira não é fundamental e reiterou que a recuperação do que aconteceu é importante porque os fatos divulgados até agora pela imprensa não têm valor legal. Isso é mentira. Fazer essa reconstituição é tripudiar sobre a dor das famílias das vítimas e vai fazer mal para o próprio Mateus, contestou o advogado. Norton Rodrigues da Silva explicou que a fase do inquérito deve estar encerrada até a próxima sexta-feira; em seguida, ele deverá oferecer a denúncia contra o acusado no 1º Tribunal do Júri.
Ele esclareceu que Meira será denunciado como criminoso comum, dispensando a necessidade de um exame de sanidade mental. O advogado do estudante explicou que, se esse exame não for solicitado pela Justiça, ele mesmo entrará com o pedido.
O médico psiquiatra José Cássio do Nascimento Pitta, que esteve ontem com o estudante, disse que ainda é prematuro avaliar se Meira tem ou não condições emocionais de participar da reconstituição do crime. Segundo Pitta, Meira estava muito ansioso e continua tomando a mesma medicação que vinha recebendo anteriormente, quando foi internado no início de outubro. O estudante tinha parado com o remédio cerca de 15 dias antes de cometer o crime.
Ontem, prestaram depoimento ao delegado da Seccional Sul, Olavo Reino Francisco, dois taxistas que teriam conduzido Mateus da Costa Meira no dia do crime no MorumbiShopping. O primeiro deles, cujo nome não foi revelado, levou o estudante até a casa do mecânico Marcos Paulo Almeida, que teria fornecido a metralhadora para o estudante. O segundo foi o que levou Meira até o shopping; ele saiu da delegacia recusando-se a falar com a imprensa.
AltaO produtor de cinema Carlos Eduardo Porto de Oliveira deixou ontem pela manhã o Hospital Duprat, na zona sul. Ele foi atingido no braço e na perna pelos disparos que Meira efetuou dentro do cinema.
Cirurgias recuperaram uma artéria de seu braço e os ossos de seu calcanhar. Um esquema de segurança foi montado para que ele não tivesse de relembrar aos jornalistas os acontecimentos daquela noite, quando sua namorada, Fabiana Lobão de Freitas, 25, foi morta. Eram quase 11 horas quando o rapaz de 25 anos saiu em cadeira de rodas, a perna engessada, de boné e óculos escuros.





