Washington, 05 (AE) - O advogado norte-americano do pai de Elián González não conseguiu convencer o governo de Cuba a permitir que ele escolte seu cliente em sua viagem aos Estados Unidos para que Juan Miguel González possa encontrar-se com seu filho, informaram funcionários do governo dos EUA.
Gregory Craig, que viajou ontem à noite a Cuba em um vôo charter, retornava na noite de hoje à capital norte-americana.
Autoridades cubanas disseram ser importante que o Departamento de Estado dos EUA concedesse todos os vistos requisitados, mas pararam de afirmar que o pai de Elián só viajará se todos os vistos forem aprovados.
Os Estados Unidos concederam esta semana seis vistos para que o pai vá aos EUA acompanhado por sua esposa, pelo filho do casal
um pediatra, uma professor e um primo de Elián.
Gregory Craig reuniu-se com o pai de Elián e autoridades do governo cubano em Havana para tratar da disputa sobre como reuni-lo com seu filho de seis anos. Depois de voar a Cuba à meia-noite de ontem, Craig foi levado em um automóvel oficial a uma casa protocolar governamental. A visita de Craig ocorreu em meio à disputa que Castro e as autoridades norte-americanas travam para resolver o problema de mais de quatro meses pela custódia de Elián.
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano James Rubin admitiu hoje que Washington estuda a possibilidade de conceder outros 22 vistos solicitados pelo governo cubano para compor a comitiva do pai de Elián González.
Rubin esclareceu, no entanto, que também buscava-se informações adicionais do governo de Havana sobre a relação específica de cada um dos indivíduos com Elián González.
"Segundo acreditamos, nossa posição é que os seis vistos que já concedemos são suficientes" declarou.
A proposta de uma delegação cubana de 28 membros para acompanhar o pai de Elián, Juan Miguel González, e seus parentes imediatos, com a inclusão de 12 companheiros de escola do menino
um funcionário do governo e vários médicos e psiquiatras, foi uma das duas opções apresentadas domingo pelo presidente de Cuba
Fidel Castro.
Segundo o governo cubano, o pai e seu filho necessitarão do respaldo médico e psicológico deste enorme grupo enquanto aguardarem a apelação de um tribunal de apelações norte-americano que decida a longa disputa legal pela custódia de Elián.
Em meio à tendência de garantias ao pai de Elián, aparentemente as autoridades migratórias norte-americanas expressaram hoje forte respaldo à idéia de que ele mesmo seja responsável por seu filho nos Estados Unidos, enquanto a disputa pela custódia corre nos tribunais norte-americanos.
Em 5 de janeiro passado, em decisão respaldada pelo presidente Bill Clinton, o Serviço de Imigração e Naturalização (INS, pela sigla em inglês) resolveu que Elián deveria ser devolvido a seu pai em Cuba.
O assessor geral do INS, Bo Cooper, disse hoje no programa "Today", da rede NBC: "Opinamos que a concessão (da custódia) ao pai durante o que resta da apelação é algo que pode resultar no melhor interesse do menino."
Consultado sobre se Elián seria entregue a seu pai se este viesse aos Estados Unidos e se seria aplicado o uso da força, Cooper disse que a concessão deveria ocorrer "de forma cooperativa", apesar de as autoridades norte-americanas estarem preparadas para apelar à lei.
O menino, resgatado na costa da Flórida em 25 de novembro último após sobreviver ao naufrágio do bote que causou a morte de sua mãe e outras 10 pessoas, é o centro de uma batalha diplomática internacional entre seu pai em Cuba, respaldado por Castro, e seus familiares anticomunistas exilados em Miami, que querem sua permanência nos Estados Unidos.
Em Miami, onde a direita do exílio cubano ameaçou com uma campanha de desordem civil se Elián voltar a Cuba, as negociações entre o INS e os familiares de Miami que cuidam do menor entraram em recesso hoje, mas serão retomadas amanhã.
Militantes do exílio anticastrista formaram uma corrente humana na frente dos familiares de Elián para bloquear qualquer tentativa de tirar o menino de Little Havana, em Miami.
Mas tomando precauções frente ao que mostraria uma comunidade cubana no exílio indo longe demais, o serviço secreto dos EUA informou que estava analisando as gravações de uma convocação feita em um programa de rádio, no qual se dizia que Clinton e a secretária de Justiça, Janet Reno, mereciam a morte pelo modo como conduziram o caso.
Segundo declarou à imprensa o locutor do programa, Manuel Rico Pérez, "houve dois chmados feitos por duas mulheres, um dos quais dizia que o presidente Clinton e a senhora Reno deveriam ter a mesma sorte de Martin Luther King".
Reno, originária de Miami, ocupa o centro das críticas pelo papel que seu Departamento de Justiça desempenhou na decisão de que Elián deveria ser devolvido ao pai.
Mais de 100 manifestantes se aglomeraram hoje em frente à casa da família Reno em Miami. Eles gritavam "Basta Reno" e portavam cartazes e faixas retratando a secretária de Justiça como um demônio.

mockup