Curitiba - O advogado Peter Amaro de Sousa, foragido há quase quatro meses depois de ter sua prisão decretada ao ser acusado de tentar coagir uma testemunha do assassinato do major do 13º Batalhão da Polícia Militar, em Curitiba, Pedro Plocharski, se apresentou ontem à Justiça. No mês passado, em entrevista exclusiva à Folha de Londrina, Sousa disse que iria se apresentar.
Sousa, que prestou depoimento na 1 Vara Criminal de Curitiba, não foi preso por causa da legislação eleitoral (leia box). O advogado acusou a polícia do Paraná de estar tentando matá-lo por achar que ele sabe demais sobre a morte do major. Além disso afirmou que a Polícia Civil ''desviou a linha de investigação sobre a morte para acobertar os verdadeiros culpados, que são do alto escalão da Polícia Militar (PM).''
''Tem gente inocente presa. E os culpados estão rindo. Os culpados são do alto escalão da Polícia Militar'', afirmou Sousa à imprensa depois do seu depoimento. A juíza da 1 Vara, Suzana Loreto de Oliveira, não permitiu que os jornaslistas acompanhassem o depoimento. Sousa está foragido desde o dia 16 de junho. ''Não me apresentei antes por uma questão de segurança pessoal. O delegado Cartaxo (Luiz Alberto Cartaxo de Moura, delegado titular da Delegacia de Homincídios de Curitiba) disse que eu corria risco de morte, que várias quadrilhas queriam me matar e eu, para me preservar, me escondi'', afirmou.
Sousa argumentou que a decretação da sua prisão foi arbitrária e aconteceu porque a polícia acha que ele sabe demais. ''O próprio Cartaxo disse que não tinha nada contra mim. Apenas eu sabia demais. Isso e motivo para prender um advogado?'', reclamou. ''A juíza perguntou bastante se eu sabia quem matou o major e eu disse que não, mas se eu soubesse eu também diria que não sabia. É problema da polícia descobrir quem são os verdadeiros assassinos'', afirmou Sousa.
Questionado sobre quem seriam os verdadeiros culpados pela morte de Plocharski, o advogado disse que a polícia tem que descobrir. ''Eu posso dizer que não sou alcaguete. Existe uma ética profissional e jamais falarei alguma coisa. Quatro meses que estou sendo perseguido, quatro meses que estão querendo me matar. E de repente eu estou aqui para colaborar? De forma alguma. Eles que busquem, que procurem, vão investigar o inquérito'', relatou. ''Com base no inquérito digo que a polícia desviou a linha de investigação'', completou.

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