Advogado fala em pedir a anulação do processo instaurado na Câmara contra Maria Helena
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 05 (AE) - O advogado da vereadora Maria Helena (suspensa do PL), Laertes Torrens, estuda a hipótese de pedir a anulação do processo instaurado na Câmara Municipal contra ela. O advogado alega possível prejuízo da defesa na análise das provas e no depoimento de testemunhas à comissão processante que analisa as denúncias contra a parlamentar. A vereadora é acusada de quebra de decoro parlamentar.
Maria Helena é acusada de deter parte dos salários de seus funcionários na Câmara e ter participado de uma suposta tentativa de extorsão de dinheiro contra o vereador Salim Curiati Júnior (PPB). Segundo Torrens, a comissão deixou de realizar trabalhos importantes, como a decodificação das fitas anexadas ao processo. Uma delas é a conversa entre o estelionatário Fabiano Leite de Sá Lima e duas ex-funcionárias da Câmara Municipal. Na conversa, elas teriam planejado um atentado contra o vereador Curiati.
A outra fita é uma suposta gravação entre Lima e o filho da vereadora, Paulo Neme, em que o estelionatário estaria disposto a prestar um depoimento favorável à parlamentar, na comissão processante. "Além disso, Lima, que é testemunha de acusação, foi ouvido após as testemunhas de defesa, o que é contra a lei", alegou Torrens, hoje. O estelionatário é considerado uma das testemunhas mais importantes do processo. No depoimento prestado sábado à comissão processante, ele afirmou que tentou vender a fita das ex-funcionárias para Curiati atendendo determinação de Maria Helena. Testemnhas - O presidente da comissão vereador Paulo Frange (PTB), negou possível prejuízo de defesa da parlamentar. "Fizemos tudo que foi possível para garantir o amplo direito de defesa da vereadora, como acareação e diligências para aquisição de documentos importantes no processo", disse. Além disso, ele lembra que Torrens terá sete dias para apresentação das alegações finais, dois a mais do que está previsto no Regimento Interno da Câmara e na Lei Orgânica Municipal.
Hoje foram ouvidas as quatro últimas testemunhas do processo. A mais importante foi a vendedora Claudia Almeida. Segundo Fabiano, Claudia abriu uma conta corrente para que fosse depositado o dinheiro (cerca de R$ 40 mil), que o estelionatário teria ganho de Maria Helena; em contrapartida, a vendedora ficaria com a metade do dinheiro. Claudia afirmou que abriu a conta para Lima, mas negou que tenha ganho qualquer quantia por isso. "Pelo contrário, eu que tive emprestar R$ 800,00 para ele", afirmou.
Cláudia afirmou ainda que o estelionatário nunca citou o nome da vereadora para ela e que só movimentou a conta corrente após Lima ser preso, no ano passado. "Antes disso eu não saquei e não depositei qualquer quantia", contou.


