Brasília, 01 (AE) - O advogado Airton Soares, que comunicou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a existência de um esquema para subornar integrantes da autarquia no julgamento da fusão entre a Antarctica e a Brahma, afirmou hoje estranhar que só agora o presidente do órgão, Gesner Oliveira, tenha tornado pública a história.
O advogado, que é ex-deputado federal e ex-líder do PT, diz ter alertado ainda em novembro a conselheira Hebe Romano, que é a relatora do processo sobre a fusão. A nota oficial divulgada hoje pelo Cade informa que a relatora somente foi procurada pelo advogado na segunda semana de dezembro.
Soares contou hoje que foi procurado por um cliente que dizia conhecer dois advogados capazes de conseguir qualquer resultado para o julgamento da fusão dependendo de quem pagasse o suborno a integrantes do Cade. O advogado não quis revelar a identidade do cliente. Soares defende a Associação Brasileira dos Distribuidores de Bebidas Antarctica, que pretende preservar a distribuição do produto independente e terceirizada.
Como o cliente não concordou em denunciar os supostos autores de suborno, Soares resolveu contar em novembro o ocorrido à relatora do caso. Segundo o advogado, Hebe Romano comunicou o fato às empresas e aos conselheiros do Cade.
"Não consigo entender por que o caso somente veio à tona agora, quando o Cade é acusado de irregularidades no contrato de locação de um prédio", lembrou Soares. Além dessa acusação, notícia vinculada no fim de semana passado sustenta que consultores ligados ao escritório de um irmão do presidente do Cade estariam preparando um parecer favorável à fusão entre a Brahma e a Antarctica. Soares afirma que se colocou à disposição do Cade e da Polícia Federal para prestar todos os esclarecimentos necessários à elucidação do caso.