São Paulo, 11 (AE) - O advogado do vereador Vicente Viscome (sem partido), Ademar Gomes, entregou hoje a defesa do parlamentar à Câmara Muncipal e indicou como testemunhas 10 pessoas entre as quais o prefeito Celso Pitta (sem partido), o secretário municipal dos Negócios Jurídicos, Edvaldo Brito, o ex-prefeito Paulo Maluf, o ex-secretário do Governo Municipal Edevaldo Alves da Silva e o deputado federal Nelo Rodolfo (PMDB).
Gomes explicou que, como os administradores regionais são indicados pelo prefeito, vai querer saber se Pitta tinha conhecimento do que ocorria na Administração Regional. O advogado quer mostrar que o parlamentar sugeria o nome do administrador regional, que a indicação era feita pelo prefeito e mostra que, apesar disso, não é obrigado a saber o que ocorre no órgão municipal.
Com isso, reforçará o argumento de que Viscome, que está preso
detinha o controle político da Regional da Penha mas desconhecia a cobrança de propina pelos funcionários. "Em nenhum momento as testemunhas ouvidas pela CPI afirmaram que o vereador sabia que os recursos eram obtidos por meio de ato ilícito, ninguém disse que ele exigiu dinheiro e tem motivos para não perguntar a origem do dinheiro porque mantinha relações amorosas e econômicas com a Tânia de Paula, cuja família tem boas condições financeiras", argumentou Gomes.
Ao ser perguntado porque havia indicado o secretário dos Negócios Jurídicos como testemunha, Gomes disse que havia uma questão que lhe interessava. "Por enquanto, prefiro manter essa questão em sigilo", disse.
De acordo com o advogado que trabalha junto com Gomes, Nader Tarabori, a defesa pode arrolar testemunhas indiretas e a Comissão Processante terá de convocar as testemunhas. "Se não quiserem atender à convocação, poderão ser convocadas por meio de petição judicial conforme prevê a legislação em vigor", afrimou Tarabori.
Eles não incluíram o nome da ex-assessora e namorada de Viscome Tânia de Paula, responsável pelas principais acusações ao vereador, porque ela é parte integrante do processo. "Se ela mudar ou não o depoimento não significa nada para a defesa, pois em momento algum disse que o Viscome tinha conhecimento sobre a origem do dinheiro que ela admitiu arrecadar", afirmou Gomes.
Vereadores da oposição acreditam que a defesa pode estar tentando provocar uma confusão jurídica, com objetivo de ganhar prazo - a Comissão Processante tem 90 dias para concluir o processo e entregar relatório ao plenário da Câmara.
Além das autoridades, os advogados de defesa de Viscome arrolaram mais cinco testemunhas: o médico ginecologista Mateus Caruso; o advogado aposentado e gerente do banco - não lembrou o nome da instituição - no qual Viscome mantinha conta corrente, João Francisco Moisés Pacheco; o presidente de uma escola de samba - também não lembrou o nome - Valdivino Batista da Silva; o vendedor de frutas Clemildo Geraldo dos Santos; e a vendedora ambulante Luciana Santos Lima.
Os advogados entrarão amanhã com mandado de segurança com pedido de liminar para suspender a rejeição da Mesa Diretora da Câmara ao segundo pedido de licença apresentado por Viscome.
Pitta e Maluf - A Assessoria de Imprensa da Prefeitura informou que Pitta não sabe porque foi citado como testemunha, mas que se for convocado prestará depoimento e dirá a verdade. O assessor de imprensa do ex-prefeito Paulo Maluf, Adílson Laranjeira, disse não ter a menor idéia do motivo pelo qual o advogado de Viscome arrolou Maluf como testemunha.
Laranjeira não soube responder se o ex-prefeito de São Paulo irá depor ou não. Ele adiantou que, diante de qualquer denúncia Maluf exonerou administradores regionais, tanto que substitiu mais de 68 funcionários e determinou abertura de sindicância interna.

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