Advogado entra com ação contra PM de Querência
Marcos Zanatta
O advogado Avanilson Alves Araújo, da Rede Nacional de Advogados Populares do Paraná (Renap), e que defende o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí), apresentou denúncia ontem ao Ministério Público contra a ação da Polícia Militar na cidade. Ele pede providências contra o que classifica de prisões ilegais, arbitrárias e violentas promovidas pela PM contra sem-terra desde sábado passado, após a reocupação da Fazenda Rio Novo.
Araújo revela ainda que os policiais mantiveram presos, junto com adultos, duas crianças, e discriminaram três mulheres negras. A denúncia inclui ainda a ameaça de morte que Araújo sofreu de policiais militares.
A Renap também vai ingressar com ação solicitando indenização por danos morais contra o Estado por causa do grampo dos telefones dos líderes do MST. Segundo os advogados Josinaldo da Silva Veiga e Gerson da Silva, a juíza Elizabeth Khater, de Loanda, autorizou o grampo dos telefones sem nenhum respaldo legal.
A ação foi motivada pela entrevista da juíza à Folha no último dia 21, em que ela afirma não ter nada a temer, pois somente cumpria a lei ao autorizar o grampo. A Renap acusa Elizabeth Khater de parcialidade nas decisões que dizem respeito ao MST. Se o Estado perder a ação, os custos das indenizações ficam a cargo da juíza.
Para os advogados, a juíza errou quando autorizou os grampos telefônicos a pedido do major Waldir Copetti Neves e do sargento Valdeci Pereira da Silva.
A quebra de sigilo telefônico somente pode ser solicitada por delegado de polícia, promotor de Justiça ou juiz de direito, disse Gerson da Silva. A Folha tentou falar com a juíza, mas ela não retornou as ligações. (Colaborou Paulo Ubiratan).





