Advogado é acusado de abusar de deficientes
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terça-feira, 30 de abril de 2002
Agência Folha 
Porto Alegre - A polícia gaúcha prendeu ontem o advogado Setembrino Capuá, 59 anos, acusado de abusar sexualmente de jovens com deficiência mental. O caso, inicialmente, vinha sendo tratado pelos policiais como sendo pedofilia, mas não se configurou como tal porque os jovens têm entre 20 e 25 anos com idade mental de 11.
Os agentes da 1ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo (a 30 km de Porto Alegre), ao fazer uma busca na casa do advogado e apreender 49 fitas de vídeo, nas quais há gravações de atos sexuais envolvendo Capuá, um travesti e outras pessoas (ainda investigadas) com os três jovens, um de 20 e dois de 25 anos.
Capuá confessou a prática dos atos em depoimento na 1ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo (a 30 km de Porto Alegre). Ele não quis falar com a imprensa.
Por enquanto, foram examinadas três fitas, que, segundo o delegado Heliomar Franco, são de dar inveja a Calígula (imperador romano, cujo reinado foi marcado por instabilidade mental, excessos pessoais e delírios de divindade).
As pessoas que acompanharam os jovens para fazer a acusação são psicólogos e assistentes sociais que tiveram as identidades preservadas.
Os jovens eram aliciados e depois levados para uma residência onde faziam sexo e tinham as cenas gravadas. Conseguimos identificar três vítimas. Pode haver mais, diz o delegado.
A perversão desse senhor (Capuá) alcançou níveis inimagináveis, e temos a informação de que isso vinha ocorrendo havia três anos. Como tecnicamente não pode ser considerado pedofilia, o caso é definido como pederastia e atentado ao pudor contra doentes mentais. A prisão pode ser de entre 8 anos e 12 anos.
Outros dois suspeitos de participação nos atos tiveram a prisão temporária pedida pela polícia, e dois outros ainda estão sendo investigados. No caso do advogado, ele já foi levado para o presídio sob prisão preventiva.
De acordo com o delegado, há muitas investigações a serem realizadas e podem surgir novos implicados nas outras 46 fitas a serem examinadas.
As fitas teriam sido exibidas publicamente em uma boate frequentada por homossexuais em Porto Alegre. Depois da exibição, os jovens deficientes mentais teriam feito sexo no local, com os frequentadores.


