Londrina - O advogado Josafar Guimarães, que representa a família do recruta assassinado Rodrigo Lino Ximenes, teve acesso à necrópsia feita no corpo da vítima pelo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. O laudo, segundo ele, revela que o soldado foi atingido por cinco tiros, dois deles nas costas, já que não há orifício de saída.
''Foram cinco orifícios de entrada, dois acertaram as costas e outro a mão esquerda, que acabou transfixando e se alojou no abdômen. Situações claras de execução e de que não houve nem o ato de legítima defesa defendido pela outra parte'', afirmou.
A soldado Maria Eugênia Scudeler Pasquini foi presa em flagrante pelo crime. Ela está em uma sala no 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM).
Josafar Guimarães chama a atenção para outro fato, de que a vítima estaria segurando a faca com a mão esquerda, a mesma que foi atingida por um disparo. ''Não tem como levar um tiro na mão e ficar segurando a faca ao mesmo tempo. Acredito que a faca foi colocada na mão dele após a morte, ela foi plantada. No apartamento há rastro de sangue na lavanderia, cozinha, sala e corredor, indicando que ele tentou fugir e foi levando tiro'', alegou.
''Posso dizer que há uma simetria, uma congruência muito bem estabelecida entre o relato dela, entre a prova colhida e entre o local dos fatos. Poucas vezes como profissional, e lá se vão 25 anos, pude perceber um conjunto probatório tão nítido. Se isso não for legítima defesa vamos ter que mudar a literatura sobre a matéria'' rebateu o advogado João dos Santos Gomes Filho, que defende a soldado Maria Eugênia.
O IML não revelou o conteúdo do laudo à FOLHA. O documento será repassado ao 5º Batalhão. O Instituto de Criminalística também deve repassar o laudo do local do crime e ambos devem embasar o inquérito policial militar. Regimentalmente, a investigação tem que ser concluída amanhã e repassada ao Ministério Público Militar, em Curitiba. O caso será julgado pela auditoria militar composta por um juiz de Direito, um promotor público e três militares.
O advogado da família do recruta afirmou que vai processar o Estado, uma vez que a suspeita estava em horário de serviço. ''Vamos acompanhar todos os fatos junto ao Ministério Público. Com certeza todas as medidas cabíveis serão adotadas, como ação indenizatória para reparar da melhor forma tudo isso'', afirmou Josafar Guimarães.

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