Advogado diz que Junqueira pode ser solto
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2002
José Maschio Agência Folha 
Londrina - O advogado Augusto Flávio Vieira, defensor do pecuarista Roberto Junqueira, que atirou contra o líder sem-terra José Rainha Jr., disse ter elementos que podem descaracterizar a prisão em flagrante de seu cliente.
Junqueira foi preso na noite de sábado, depois de confessar ter sido o autor dos disparos contra Rainha Jr, ferido nas costas com um tiro de revólver calibre 38, durante invasão da fazenda Santa Rita do Pontal, em Rosana (extremo oeste de SP).
Segundo Vieira, seu cliente não fugiu do local e menos de uma hora depois do confronto com Rainha, que teria acontecido às 11h30 de sábado, conversou com policiais militares na própria fazenda. Espero que a Justiça decida amanhã pelo relaxamento do flagrante, disse Vieira.
Na tarde de anteontem, a repórter-fotográfica Branca Nitzsche prestou depoimento ao delegado Adilson Carvalho, da Polícia Civil de Rosana. Nitzsche, brasileira radicada em São Francisco (Califórnia), acusou Junqueira de mantê-la em cárcere privado por mais de quatro horas.
Ainda segundo Nitzsche, funcionários de Junqueira teriam confiscado um filme de sua máquina fotográfica, em que ela teria registrado a presença de homens armados atuando como seguranças da fazenda Santa Rita do Pontal.
A fotógrafa estava na fazenda produzindo um documentário fotográfico sobre as atividades do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na região.
Vieira, advogado de Junqueira, disse que não houve cárcere privado e que o filme foi retirado da máquina pela própria Branca.
Ele tirou o filme, velou e depois entregou a um funcionário do Roberto Junqueira. Agora essa história de cárcere privado é balela, afirmou Vieira.


