Advogado diz que ex-goleiro Bruno tem propostas para voltar a jogar
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Agência Estado 
O advogado do ex-goleiro Bruno Fernandes disse, em entrevista à Rádio Estadão nesta sexta-feira, 24, que seu cliente recebeu emocionado a notícia de que seria solto e já tem propostas para voltar a jogar. "Ele não esperava. Chorou, me abraçou, agradeceu muito, emocionado", contou Lúcio Adolfo.
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar ex-goleiro, acusado de matar a ex-amante Eliza Samudio. A decisão em caráter liminar foi tomada na terça-feira, 21. O advogado disse não temer que a liminar caia: "Em liberdade, nós vamos poder provar que ele não põe risco a ninguém".
Adolfo comentou ainda a decisão do Supremo. "Eu recebi (a decisão) agradecido e principalmente estou confortável de saber que minha tese encontra eco na compreensão do judiciário brasileiro. O Bruno é primário, de bons antecedentes, tem trabalho licito. E está preso há sete anos, provisoriamente. Isso é um absurdo."
O advogado disse que, ao ser solto, o ex-goleiro, deve tentar retomar a carreira no futebol. "Sei que tem propostas de trabalho em alguns times de futebol até para jogar campeonatos estaduais por aí e ele vai tomar o caminho que achar melhor. Ele vai se dedicar, está com 30 anos, tem aí um bom período, se conseguir superar as dificuldades do retorno à vida social."
STF manda soltar ex-goleiro Bruno, condenado por homicídio
Por: Agência Brasil
O ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma decisão liminar (provisória) para que o goleiro Bruno Fernandes, preso quando jogava pelo Flamengo, seja libertado.
Na decisão, divulgada hoje (24), Marco Aurélio destacou que Bruno encontra-se preso há 6 anos e 7 meses sem que tenha sido condenado em segunda instância, motivo pelo qual deve ser solto para que recorra em liberdade.
"Nada, absolutamente nada, justifica tal fato. A complexidade do processo pode conduzir ao atraso na apreciação da apelação, mas jamais à projeção, no tempo, de custódia que se tem com a natureza de provisória", escreveu o ministro do STF.
O goleiro já havia tido um pedido de habeas corpus negado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Bruno foi preso preventivamente em agosto de 2010, após um inquérito policial apontá-lo como principal suspeito de ter matado a ex-namorada Eliza Samudio, com quem teve um filho. Ela desapareceu em 2010, aos 25 anos, e foi considerada morta pela Justiça. Seu corpo nunca foi encontrado.
Em 2013, o Tribunal do Júri da Comarca de Contagem (MG) condenou o goleiro a 22 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, com emprego de asfixia e com recurso que dificultou a defesa da vítima), sequestro e ocultação de cadáver.
O comparsa de Bruno, seu amigo Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, também foi condenado. A decisão do STF não menciona o cúmplice.
À época, o caso gerou grande comoção social e o júri negou a Bruno e Macarrão o direito de recorrer em liberdade. "O clamor social surge como elemento neutro, insuficiente a respaldar a preventiva", escreveu Marco Aurélio na decisão em que mandou soltar o goleiro.
No pedido de habeas corpus ao STF, a defesa de Bruno alegou demora de mais de três anos para que seu caso fosse julgado na segunda instância. Ele ainda encontra-se detido na penitenciária de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Após a notificação da decisão de Marco Aurélio, o goleiro deve ser solto. Ele deverá manter residência fixa e comparecer à Justiça sempre que convocado.
Atualizada às 20h20.


