Brasília, 07 (AE) - Os assessores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário foram informados ontem (06), pelos advogados Ramiro Laterça e Rommel Corrêa, que os três volumes, com 1.024 folhas, que tratam do inventário do pai do menor Luiz Gustavo Silveira Nominato, Washington Nominato
que morreu em 1987, haviam desaparecido da Vara de àrfãos e Sucessões. Hoje, numa nova visita à Vara, Laterça foi supreendido, ao ver o processo, com as laudas soltas.
"O processo despencado estava sendo remotado", afirmou. O advogado disse que se surpreendeu com as explicações do escrivão Neiva Moreira para o sumiço do processo. "Ele simplesmente respondeu que tinha levado o processo para casa para dar uma guaribada nele", informou.
"O escrivão disse que fez isso porque o caso estava muito famoso." Moreira defendeu-se, alegando que não fez nada de errado. "Eu sou escrivão do cartório", alegou. Ele disse que levou o processo para ser copiado fora do Tribunal de Justiça (TJ) "porque era mais barato". Teria então pago 50 centavos por uma cópia, em vez de 15 centavos cobrados pelo tribunal. "São mais de mil folhas", justificou.
O advogado Luiz Amaral, que até novembro tentou rever os bens do garoto, afirmou que as dificuldades que até agora impediram Luiz Gustavo de desfrutar dos bens ocorrem no que seria a "maior herança de Brasília". Com a venda irregular de todos os bens deixados, o garoto e a mãe, Miramar Silveira, vivem em situação precária, pagando aluguel e vivendo da parca renda obtida num pequeno restaurante. Luiz Gustavo herdou, mas não levou, empresas de ônibus, de plano de saúde, de consórcio de carro, agências de viagens, motéis, entre outros. Hoje, ele é cobrado judicialmente em cerca de R$ 400 mil de impostos.
Amaral acusa o ex-juiz da Vara de àrfãos Asdrubal Vasquez Cruxen, que hoje é vice-presidente do TJ do Distrito Federal, de ter compartilhado da trama dos ex-sócios do pai do garoto - donos de cotas simbólicas nas empresas - e da advogada inicialmente contratada por Miramar, Maria das Graças Leão, que morreu, para desviar todos os bens. Nos próximos dias, a CPI deve receber a documentação, comprovando que o dinheiro obtido com a venda dos bens foi depositado na conta dos sócios. Os depoimentos inciais sobre o caso, de Miramar e dos advogados, devem ocorrer na penúltima semana deste mês, depois de a comissão reunir todos os dados sobre o caso.

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