Advogado diz que Enterpa foi coagida a pagar propinas
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terça-feira, 16 de março de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 17 (AE) - O advogado da Enterpa, Voltaire de Souza Gaspar, disse hoje que a empresa foi coagida a pagar propinas para funcionários da Administração Regional da Penha. Ele não soube informar, porém, o valor e os motivos da suposta propina. Hoje, o presidente da empresa, Roberto Rocha, seria ouvido pelo delegado Naief Saad Neto. Ontem, o delegado Saad Neto havia dito que, em conversas informais, o presidente da empresa admitiu que pagou dinheiro para a regional.
As proprinas seriam pagas para que a empresa conseguisse a liberação de planilhas de varrição das ruas que servem de cálculo para o pagamento do serviço prestado para o Município. De acordo com o contrato assinado em 1995, as empresas contratadas têm de executar um serviço pré-estabelecido - por ruas, no caso da varrição.
A ordem de serviço, a fiscalização e o pagamento são realizados pela Secretaria das Administrações Regionais. O suposto pagamento de propina ocorreria para que eventuais irregularidades no serviço não fossem apontadas e as planilhas fossem aprovadas. A cidade foi divida em sete regiões, mas apenas quatro empresas venceram a licitação. De acordo com informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Serviços e Obras, as responsáveis pelo serviço são a Vega Engenharia Ambiental S.A., Enterpa Abiental S.A., Cavo e a Cliba Ltda.
O valor original dos contratos com as empresas de limpeza urbana aumentou 155% entre 1995 e novembro de 1998, por causa de aditamentos e alterações dos valores. A Secretaria de Serviços e Obras informou que entre o início da licitação e a assinatura do contrato houve discrepância do valor e foram incluídos outros serviços que não constavam do contrato.


