Londrina - A policial militar Maria Eugênia Scudeler Pasquini vai passar o ano-novo presa no 5º Batalhão (BPM) em Londrina. O pedido de relaxamento da prisão deve ser protocolado apenas no final do recesso forense, em 7 de janeiro. ''Vou esperar a conclusão do inquérito para ver o que fazer'', declarou o advogado dela, João dos Santos Gomes Filho.
A soldado foi detida em flagrante anteontem por suspeita de matar o próprio namorado, o recruta Rodrigo Lino Ximenes, de 21 anos. O corpo dele foi sepultado ontem no Cemitério Municipal de Arapongas.
O casal morava havia uma semana em um apartamento do Residencial Cauã, no Jardim Igapó (zona sul), mesmo local do crime.
Ximenes foi encontrado morto na sala do apartamento com uma faca na mão. O Instituto Médico Legal (IML) não informou a quantidade de tiros que atingiram a vítima, mas no local foram recolhidas nove cápsulas de pistola .40. As disposições vão embasar o laudo do Instituto de Criminalística, que pode esclarecer alguns fatos do crime. Os celulares do casal também devem passar por perícia e confirmar que a morte foi precedida por uma briga.
Os dois laudos serão anexados ao inquérito policial militar aberto no 5º BPM, que deve ser concluído regimentalmente até domingo.
Seis pessoas foram ouvidas até agora pelo encarregado da investigação, sendo duas civis e quatro policiais. Em depoimento, Maria Eugênia teria afirmado agir em legítima defesa. ''Ela estava sendo perseguida, ameaçada por um homem armado e sua reação foi tentar se proteger. No caso, ela saiu correndo e puxou o gatilho. Os nove tiros demonstram apenas que é uma arma semiautomática. Ela não premeditou o crime, tanto que a própria Maria Eugênia acionou a polícia'', afirmou o advogado João Gomes.
''Ele não parou (de persegui-la), tanto que toda a confusão (briga) aconteceu na cozinha e ele foi encontrado morto na sala. São evidências de um caso clássico de legítima defesa'', disse.
Maria Eugênia é mantida presa em uma sala especial no 5º BPM. Segundo o advogado dela, a policial está ''bastante abalada emocionalmente e faz uso de calmantes''. As visitas são restritas.
Novas diligências não são reveladas pelo 5º BPM. ''Todas as provas induzidas vão ficar a critério do encarregado que pode pedir descricionalidades'', revelou o porta-voz do 5º BPM, capitão Nelson Villa. Por tratar de preso em flagrante o inquérito deve ser remetido segunda-feira ao Ministério Público.

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