São Paulo, 12 (AE) - O advogado Márcio Thomaz Bastos disse hoje que não há possibilidade de a estudante Sulamitha Schiesari
de 19 anos, ter sido vítima de um crime. Ela caiu de um dos andares do estacionamento do Shopping Center Iguatemi no dia 29 de março. "Se não foi suicídio, no máximo teria ocorrido um acidente", afirmou.
Bastos foi contratado pelo shopping ontem para esclarecer que o Iguatemi "não sonegou informações a respeito do caso" e que "somente agiu com cautela para não prejudicar a privacidade da família".
Ele destacou que, desde o primeiro momento, o Iguatemi deu todo apoio, socorrendo a vítima e informando à polícia do ocorrido. O shopping publica amanhã, nos principais jornais, comunicado esclarecendo em seis itens sua posição com relação ao assunto.
O advogado revelou que os técnicos do shopping fizeram fotos de Sulamitha percorrendo vários setores do Iguatemi. As fotografias foram tiradas a partir das imagens gravadas pelas câmeras do sistema interno de vídeo.
"Dezesete dessas fotos foram entregues à polícia na segunda-feira, com pedido de sigilo para preservar a privacidade da família", disse Bastos.
Ressaltando que não poderia dar mais detalhes a respeito do caso, uma vez que o inquérito policial está sob sigilo, Bastos disse que, de acordo com uma das fotos, Sulamitha foi filmada saindo do 6º andar, em direção ao estacionamento. "Na imagem, aparece claramente a iluminação desse setor", garantiu.
Os advogados Sérgio Magalhães Filho e Paulo Cremonesi, contratados pela família da estudante para realizar uma investigação paralela à da polícia, contestam essa versão, dizendo que possuem informações de que Sulamitha foi vista às 18h13 próximo a um petshop no 3º andar, indo para o estacionamento. Ela caiu entre 18h25 e 18h35.
A apuração do caso, inicialmente realizada por policiais do 15º DP, foi transferida para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) por determinação do delegado-geral Marco Antônio Desgualdo. O inquérito é presidido pelo delegado Eduardo Camargo Lima, que decretou sigilo nas investigações.
Propina - Bastos negou também que o shopping tenha dado mensalmente gratificações a policiais do 15º DP, conforme denúncia que será feita pelo deputado federal Celso Russomano (PPB) à Corregedoria da Polícia Civil.
"O Iguatemi possui um perfeito esquema de segurança, que conta com a consultoria de técnicos estrangeiros e de maneira nenhuma precisa dar propina à polícia", disse.
Procurado pela reportagem, o advogado da família de Sulamitha, Sérgio de Magalhães Filho, não foi encontrado até o fechamento da edição.

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