Advogado de Recife continua preso em Curitiba
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O advogado de Recife, João Bosco de Souza Coutinho, acusado pela Polícia Federal (PF) de ser o cabeça do grupo que tentou receber o pagamento de títulos de dívida pública da Petrobras e das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás) com ações judiciais fraudulentas, chegou a Curitiba na noite de terça-feira. Ele está preso na Superintendência da PF junto com os outros cinco suspeitos.
A PF não deu, ontem, mais detalhes das investigações. Segundo a assessoria de imprensa, os documentos apreendidos estão sendo analisados para verificar se eles apontam novas evidências ou até mesmo o envolvimento de outras pessoas no suposto esquema de fraude, o que a polícia acredita ser possível.
Por enquanto, foram detidos, além de Coutinho, os advogados Michel Saliba Oliveira (presidente licenciado da sub-seção de Curitiba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Lagana e Sílvio Carlos Cavagnari, e o técnico em informática João Marciano Odppis. Este último trabalhava no escritório de Saliba Oliveira. Também foi preso Paulo Sampaio, que seria funcionário de Coutinho.
O advogado de defesa de Saliba Oliveira, René Dotti, disse, ontem, que até o final da semana deve ajuizar o pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, em Porto Alegre (RS). Ele ainda está examinando o processo e a natureza das interceptações telefônicas para saber se elas servem como meio de prova lícito. Dotti entende que a prisão preventiva não se justifica. ''Uma pessoa que não tem qualquer antecendente tem o direito de aguardar o processo em liberdade'', declarou.
O mesmo cuidado com os fundamentos do pedido de habeas corpus está tendo o advogado de Lagana e Cavagnari, Cláudio Dalledone Júnior. Ele disse que está analisando o processo e o teor dos depoimentos dos demais envolvidos para depois pedir o relaxamento da prisão. Dalledone também está se inteirando do teor das gravações telefônicas que, segundo a PF, são a principal prova da participação dos advogados no esquema. ''Não se fez prova nenhuma de qualquer consumação de delito. Eram advogados preparando ações judiciais'', rebateu Dalledone.
O advogado de Odppis, Rodrigo Rios, disse que pretende protocolar o pedido de habeas corpus em favor de seu cliente ainda hoje no TRF da 4 Região. Ele entende que a medida cautelar que determinou a prisão perdeu seu sentido. ''As provas já foram colhidas. Ele pode responder todas as imputações em liberdade'', afirmou. Segundo Rios, seu cliente trabalhava no escritório de Saliba Oliveira há cerca de oito meses.
Os seis presos são acusados pela PF de formação de quadrilha, tentativa de estelionato, corrupção ativa, tráfico de influência e crime contra o sistema financeiro.
Em nota distribuída pela assessoria de imprensa, a Justiça Federal de Curitiba reafirmou que, até o momento, não há provas do envolvimento criminal de juízes federais ou estaduais no caso.


