Advogado de Pinochet diz que ele não será julgado no Chile Do enviado especial ROBERTO LAMEIRINHAS4/Mar, 13:03 Santiago, 04 (AE) - Depois de terem sido recompensados com alguns acenos de Augusto Pinochet, no momento em que o ex-ditador chegava, na sexta-feira à noite à sua residência num bairro exclusivo de Santiago, dezenas de pinochetistas permaneciam no local hoje (04) de manhã, misturados a um batalhão de jornalistas e aos carabineros que tentavam manter todos à distância. Dentro da casa, de acordo com testemunhas, Pinochet repousava sob a supervisão de médicos particulares. O ex-ditador recebeu a visita de alguns militares, entre eles o comandante do Exército, Ricardo Izurieta. Cada pessoa que deixava o imóvel era rodeada por repórteres em busca de alguma informação. Ele recebera alta do Hospital Militar de Santiago às 19 horas de sábado (por causa do horário de verão no Chile, não há diferença de fuso em relação ao Brasil). "Diante seu ressentido estado de saúde por causa da detenção em Londres, adotaram-se as indicações médicas necessárias para o caso. Cumprido o anterior, o general Augusto Pinochet estará de alta para retornar a seu domicílio, onde permanecerá sob supervisão ambulatorial", dizia o comunicado do hospital, firmado por seu diretor, coronel Alejandro Mandujano. Em meio ao entra-e-sai da residência, o único a concordar em dar um breve declaração, de dentro de um carro, foi um dos advogados do ex-ditador, Hernán Errazuriz, que disse tê-lo visitado apenas como amigo, sem tratar de assuntos jurídicos. Mas, ante a insistência dos jornalistas, que procuravam saber como a defesa de Pinochet enfrentaria as 60 denúncias que pendem contra contra ele no Chile, Errazuriz afirmou que não há meios legais para que as demandas prossigam. "Não vemos como esse intento possa ter êxito, primeiro porque é evidente que o general Pinochet não tem condições de saúde para ser julgado e depois porque as denúncias contra ele são contestáveis", disse. O juiz de instrução Juan Guzmán deve apresentar ainda esta semana ao pleno do Supremo Tribunal um pedido para que Pinochet seja destituído da imunidade parlamentar a que tem direito. Graças a uma emenda constitucional imposta durante seu regime, Pinochet é senador vitalício na condição de ex-presidente da república. Esse primeiro caso se refere às denúncias do envolvimento do então ditador nas "caravanas da morte" - comandos paramilitares encarregados de assassinar opositores do regime nos anos 70. Um processo no Chile é a última esperança dos ativistas de defesa dos direitos humanos e dos parentes das mais de 3 mil vítimas da ditadura militar de levar o ex-ditador a julgamento. Hoje de manhã, centenas de manifestantes de movimentos anti-Pinochet começavam a concentrar-se nas proximidades do Palácio de La Moneda, de onde uma marcha partiria às 17 horas. "Não vamos descansar enquanto não tivermos Justiça e não punirmos esse assassino", disse à AE, Lucia Gimenez, uma militante da Grupación de Detenidos e Desaparecidos, a mais ativa organização antipinochetista do Chile. O pai de Lucia, um jornalista ligado a movimentos de esquerda, desapareceu em 1974, depois de ser levado de sua casa por soldados do Exército.

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