Advogado de Meira critica exame residuográfico
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sexta-feira, 05 de novembro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 06 (AE) - O advogado Eduardo Pizarro Carnelós
que defende Mateus da Costa Meira, universitário de medicina que atirou e matou três pessoas e feriu outras cinco na sala 5 do cinema do MorumbiShopping, na última quarta-feira, criticou hoje o exame residuográfico feito em seu cliente e que teve resultado negativo. Segundo Carnelós, foi usada metodologia errada ou na coleta do material ou na análise. "Mas isso não muda os fatos", afirmou. "Não vou ser estulto e dizer que não foi ele que atirou", disse neste sábado após visita rápida ao seu cliente, detido na 2ª Delegacia Seccional Sul. Meira é mantido em cela isolada, mas vem se queixando das condições. Atendendo a sugestões até o delegado seccional Olavo Reino Francisco, o advogado decidiu oferecer como passatempo alguns livros de literatura. "Talvez o João Ubaldo", afirmou. "Ele reclama e vamos tentar minorar as queixas, mas ele foi alertado de que o caso é grave e essas são as condições", afirmou o advogado. Carnelós disse que o acusado sabe que a sua situação é grave porque o advogado o informou, sem, no entanto, relatar quantas foram as vítimas fatais. "Mas não sei avaliar se ele está realmente consciente do que está acontecendo", declarou.
A expectativa da defesa é que o juiz-corregedor decida sobre a transferência do estudante na próxima semana. Carnelós esclareceu que o acusado vai permanecer ainda alguns dias na 2ª Seccional Sul para facilitar o inquérito. Exame - O pedido de exame de sanidade ainda não foi formalizado, segundo Carnelós, embora já tenha sido tomada a decisão na primeira reunião do advogado com o pai do acusado, o oftalmologista Deolino Vanderlei Meira, na sexta-feira à noite. "Há motivos para duvidar da sanidade mental dele", declarou, reafirmando, no entanto, que não pretende usar o resultado do exame como tese de defesa. "Quero saber apenas se ele é imputável ou não", disse. "Não estou sustentando a tese de que ele é inimputável".
Segundo Carnelós, o psiquiatra José Cassio do Nascimento Pitta também visitou o acusado no sábado. "Ele está sob cuidados do médico, e sem a medicação nos preocuparia muito", disse. Entrevista - O advogado disse ainda que na segunda-feira pretende "tirar a limpo" a entrevista concedida por escrito à "Folha de S.Paulo". Segundo Carnelós, seu cliente nega ter concedido essa entrevista por escrito e garantiu ao advogado não haver provas caligráficas disso. "É grave que estejam conseguindo ter acesso a ele", afirmou, observando que o delegado seccional disse não ter conhecimento de contatos de Meira com jornalistas. Carnelós esclareceu que entrevistas só podem ser concedidas mediante autorização expressa do acusado ou de seu advogado. "Permanece a recomendação de que não fale à imprensa", afirmou.


