O advogado do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, não irá mais defender seu cliente, acusado de matar a também jornalista Sandra Gomide, no último dia 20, em Ibiúna, interior de São Paulo.
Segundo nota divulgada à imprensa ontem pela manhã, Mariz de Oliveira deixará o caso por causa das interferências de amigos e familiares de Pimenta Neves. O advogado ficou no caso durante 18 dias e garantiu que acompanhará o processo até o julgamento do habeas-corpus.
A decisão do advogado seria comunicada à ex-mulher de Pimenta, Carol, ontem. O advogado pretende dar assistência ao jornalista até que a família providencie outro advogado. ‘‘Pretendo inclusive orientá-lo para interrogatório, na próxima quarta-feira’’, afirma Mariz.
Eis a íntegra do comunicado do advogado: ‘‘Durante 18 dias, eu e meus companheiros de escritório nos esfalfamos na defesa de Antônio Marcos Pimenta Neves. Esforços intelectuais, físicos e materiais não foram poupados. Não se olvide o desgaste emocional, o sofrimento solidário e a mão estendida nos momentos mais dramáticos desse período. Como, no entanto, o êxito do seu trabalho não depende do advogado - esta é a grande tragédia da profissão - incompreensões e, mais do que elas, interferências, começaram a surgir. Estas ferem valores sagrados da advocacia: a confiança e a independência. No caso, tais valores foram atingidos por amigos e por familiares de Pimenta. Assim sendo, não me resta outra alternativa a não ser declinar do mandato outorgado. Esclareço que ficarei no caso até ser substituído por outro colega, que já deve estar sendo contactado. Ademais, atuarei nos habeas-corpus por mim impetrados perante o Tribunal de Justiça de São Paulo até os respectivos julgamentos finais.’’
Em viagem ao exterior, o advogado Márcio Thomaz Bastos, que representa a família da jornalista Sandra Gomide, lamentou ontem o afastamento do advogado Mariz de Oliveira do caso. Ele divulgou a seguinte nota à imprensa: ‘‘Lamento a saída do doutor Mariz, um grande advogado, um grande colega e um grande amigo. A sua presença era uma garantia, para o réu e para a causa, de um julgamento ético e justo.’’

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