Clínicas foram alvo da Operação Hipócrates, na qual foram apreendidos armas, computadores, prontuários médicos e documentos
Clínicas foram alvo da Operação Hipócrates, na qual foram apreendidos armas, computadores, prontuários médicos e documentos | Foto: Saulo Ohara/12-2-2019

Denunciadas na última quinta-feira (23) pelo MP-PR (Ministério Público do Paraná) por supostas irregularidades e organização criminosa, a Clínica Psiquiátrica de Londrina e a Villa Normanda Clínica Psiquiátrica Comunitária se pronunciaram através de seu advogado, Walter Bittar.

As clínicas administradas pelo médico Paulo Fernando de Moraes Nicolau e a pela enfermeira Mara Lúcia Silvestre devem responder, segundo os promotores Paulo Tavares, Leandro Antunes Meirelles Machado e Jorge Barreto, pelos crimes de maus-tratos, cárcere privado, peculato, falsidade ideológica, lesão corporal, estupro de vulnerável, abandono de incapaz e exercício irregular da medicina. Para Bittar, as 103 páginas da denúncia não passam de repetição. “Ela é extensa de forma propositada para demonstrar que os fatos são complexos. Basta só ler para ver que o fato é repetido 20 vezes só para dar volume”, disparou o advogado, que foi categórico quanto às acusações. “Todas as imputações são falsas, algumas inclusive estão documentadas”, garantiu.

O principal argumento de Bittar é que a maior parte das irregularidades apontadas pela denúncia do Ministério Público já haviam sido alvo de ação civil pública em 2010 e que, após julgadas, as clínicas já haviam sido absolvidas. “O objetivo que parece é fechar o hospital mesmo ainda existindo um contrato em vigência. Deve ser perguntado ao MP se é um ato pessoal ou se é um inconformismo com ações que foram julgadas e mostram que a clínica funciona dentro da maior legalidade”, criticou o advogado, mirando diretamente no promotor Paulo Tavares, que também havia sido o signatário da denúncia anterior.

Como defesa, ainda foram apresentados documentos para descreditar os argumentos do Ministério Público. Entre eles está uma cópia de um ofício encaminhado ao próprio Tavares pedindo providências sobre um paciente que não foi retirado da clínica pela família. A mesma pessoa é apontada na denúncia como se tivesse sido mantida mais tempo internada sem necessidade. Sobre a acusação de estupro de vulnerável, ele afirmou que a chance de ter acontecido é mínima e, se tivesse acontecido, teria sido registrado. “Ninguém tinha ciência do caso apresentado na denúncia”, esclareceu.

Outro fato amplamente combatido é a acusação de organização criminosa. O MP-PR aponta 37 pessoas como envolvidos, sendo além dos administradores, funcionários do setor administrativo, enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos, assistentes sociais e terapeuta ocupacional. “A organização criminosa que ele descreve são mais de 30 pessoas que trabalham para a clínica e que estariam ocultando esses fatos para dar dinheiro somente para duas pessoas. Essa é a única denúncia de organização criminosa que vi na minha vida em que as pessoas não se beneficiam”, criticou.

As clínicas haviam sido alvo da Operação Hipócrates, que foi deflagrada em 12 de fevereiro deste ano para apurar irregularidades. Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis relacionados às clínicas e também na residência dos proprietários na área central da cidade. Na ocasião, foram apreendidas 24 armas, além de computadores, prontuários médicos e documentos. Sobre o armamento, o advogado também buscou dar explicações.

“As armas são dele (Paulo Nicolau) e ele vai responder por esse fato. As armas estavam muito bem acondicionadas, ele é um colecionador. Elas estavam num anexo que é sua residência”, afirmou. A defesa aguarda a decisão sobre o acatamento da denúncia por parte da Justiça. A FOLHA procurou o MP para comentar: o promotor Paulo Tavares está de férias e os outros dois preferiram não se pronunciar sobre a denúncia.

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