Rio,7 (AE) - O advogado José Carlos Fragoso, defensor de Salvatore Cacciola, entra hoje, na 6ª Vara Federal, com pedido para impedir que sejam abertos os envelopes lacrados apreendidos pelo Ministério Público Federal na busca feita na residência do ex-proprietário do Banco Marka. Fragoso vai argumentar que a abertura vai ser uma violação de correspondência, proibida pela Constituição.
Na petição, o advogado também vai requerer que seja decretada a ilegalidade do mandado de busca e apreensão expedido pela juíza da 6ª Vara, Ana Paula Vieira de Carvalho. "Todo o procedimento do Ministério Público foi ilegal", afirmou Fragoso. Ele vai argumentar que houve abuso no cumprimento do mandado, que determinava buscas somente na residência de Cacciola (os policiais federais também revistaram o carro do banqueiro, que estava na garagem do prédio, onde acharam uma carabina calibre 12).
Ele acrescentou que foram levados da residência de seu cliente objetos que não tinham ligação com os negócios do Marka, como aparelhos de telefone, fax e até uma carteira de sócio do Iate Clube. Segundo o advogado, durante a operação, houve um "constrangimento desnecessário" à mulher de Cacciola, Adriana. "Os policiais estavam até de metralhadora, ficaram interrogando a mulher do meu cliente, tiararm todas as panelas dos armários da cozinha", criticou o advogado. Além disso, o material foi todo para o Ministério Público Federal, em vez de ir para a 6ª Vara, que determinou a busca, afirmou Fragoso. Ele lembrou que o segredo de Justiça, determinado pela juíza Ana Paula, foi desrespeitado, com a divulgação de um bilhete enviado por Cacciola ao ex-presidente do Banco Central (BC), Francisco Lopes. O advogado vai pedir também que os procuradores que participaram da ação de busca não participem da audiên cia de hoje. "Ao participar da ação policial, eles perderam a isenção", afirmou. O advogado reclamou que até hoje não teve acesso ao material apreendido no apartamento de Cacciola. "O Ministério Público teve acesso, a CPI teve acesso, mas a defesa não", reclamou.

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