Rio, 24 (AE) - O advogado do banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, José Carlos Fragoso, negou hoje que seu cliente tenha operado com "laranjas" no exterior, conforme suspeita dos senadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos. "As remessas de dinheiro são absolutamente legais"
garantiu Fragoso.
A juíza da 6ª Vara Federal, Ana Paula Vieira de Carvalho
autorizou na sexta-feira à noite que a Receita Federal tenha acesso aos livros contábeis do Banco Marka, de Cacciola, e do FonteCindam, apreendidos pelo Ministério Público Federal.
Segundo documentos encontrados na sede do Marka, no Rio, Cacciola teria feito remessas de dólares ao exterior em nome de pessoas que não têm ligações com o banco e que serviriam de fachada para os depósitos. "Impressiona a leviandade com que as acusações surgem antes que tudo seja apurado", queixou-se Fragoso. "Isso tudo não passa de histeria acusatória."
Fragoso disse não temer a autorização da juíza para que os livros contábeis do Marka sejam analisados por agentes da Receita Federal. "O banco do meu cliente é fiscalizado pelo Banco Central e isso só vai comprovar que ele tem dito a verdade: as operações são legais", insistiu.
Petição - O advogado enviou uma petição à juíza Ana Paula, na quinta-feira, pedindo que seja apurada a autoria do vazamento para a imprensa dos documentos apreendidos no Marka e na casa de Cacciola.
A juíza havia decretado, em 14 de abril, segredo de justiça do material apreendido, mas voltou atrás cinco dias depois. Nesse intervalo, jornais e revistas publicaram um bilhete de Cacciola endereçado ao ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, pedindo uma audiência.
Na petição, Fragoso cita o artigo 325 do Código Penal, segundo o qual é crime "revelar fato de que tem ciência em função do cargo (...) ou facilitar-lhe a revelação". A pena prevista para este caso varia de seis meses a dois anos de detenção ou multa.
"Os procuradores da República têm sido considerados os mocinhos desse caso, mas cometeram um crime", afirmou.

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