Advogado da empresa refuta posição do Incra
Quedas do Iguaçu - O advogado da empresa de reflorestamento Araupel, Leandro Salomão, discorda do superintendente do Incra no Paraná, Nilton Bezerra Guedes. Segundo Salomão, a titularidade da Araupel sobre as terras das propriedades Rio das Cobras e Pinhal Ralo, distribuídas nos municípios de Quedas do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Espigão Alto do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu, são legítimas. "A estrada de ferro atrelada a posse das terras é a linha principal que liga Itararé (SP) à Santa Maria (RS), que existe até hoje. Este outro ramal secundário a que o Incra se refere ligaria Foz do Iguaçu à Porto União (SC), mas não tem qualquer ligação com a questão. Temos todos os documentos", garante o advogado.
Salomão considera a versão do Incra uma tese ilusória com o objetivo de iludir os sem-terra. "Há uma distorção dos fatos, uma tentativa clara de tungar terras que são da empresa de direito, não havendo nenhuma mácula no processo", critica. O órgão se mostra incapaz de promover reforma agrária de maneira correta, até mesmo por falta de recursos, e lança mão de artifícios para que o processo corra na justiça por anos, iludindo às famílias acampadas ali", acrescenta.
ECONOMIA
A Araupel informou que conta com 1,2 mil colaboradores e injeta na economia local mais de R$ 60 milhões apenas com pagamentos de salários e fornecedores. O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Quedas do Iguaçu (Aciqi), Reni Fernandes Felipe, disse que a classe empresarial não é contra a reforma agrária, mas que defende que o processo seja feito de maneira digna e justa. "Não estamos defendendo a empresa, mas os empregos. A região já contribuiu com a reforma agrária com seus três assentamentos. Temos que atender bem essa população. O aumento de habitantes é bom, inclusive para o consumo, mas desde que seja ordenado", opina.
Uma das lideranças do Movimento Sem Terra na região, Áureo Mendes, questiona os números apresentados pela empresa e ressalta a importância dos assentados na economia local. "Muitos dos postos de emprego da Araupel são terceirizados. O dinheiro não fica na região. Temos três mil pessoas produzindo com qualidade de vida na região e muitas outras pessoas estão do nosso lado. Isso também tem um grande impacto na economia. Não é toda a cidade que está contra o MST, como estão fazendo parecer", comenta. (C.F.)





