Brasília, 27 (AE) - O advogado Pedro Calmon responsabilizou a CPI do Narcotráfico pela tentativa de suicídio do deputado cassado pela Assembléia Legislativa do Maranhão, José Gerardo Abreu. Segundo Calmon, antes de tentar suicídio, Gerardo escreveu uma carta, que estava junto com pedidos de habeas-corpus preventivo contra sua prisão. Na carta, o ex-parlamentar reafirma sua inocência, alegando ter sido cassado sem defesa. Ele pede a seus advogados que lutem até o fim para provar sua inocência e implora perdão a Deus, autoriza a doação de seus órgãos e clama para que sua família não seja perseguida no Maranhão.
O ex-deputado está internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Brasília. "Esse é o resultado dessa desastrosa CPI: um policial suicidou-se, meu cliente tentou suicídio ontem e o Badan Palhares está no hospital", protestou Calmon. "Os integrantes da CPI estão fazendo uma colagem no regime de 64, um caça às bruxas".
"Para viabilizar seus objetivos eleitorais, estão usando bandidos que se aproveitam do programa de proteção a testemunhas para conseguir o perdão e estão recebendo dinheiro para denunciar quem quer que seja", acusou Calmon. A deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora da CPI, rebateu as acusações dizendo que a comissão não pode ser responsabilizada por tudo o que acontece. "Quem denunciou José Gerardo à CPI da assembléia do Maranhão foi o próprio parceiro dele, o Caíca", afirmou referindo-se ao deputado cassado Francisco Caíca, que confessou ter cometido nove crimes a mando de José Gerardo. Ela, que está no Rio, afirmou que foi informada da tentativa de suicídio do ex-parlamentar ontem à noite. Segundo a deputada, a Polícia Federal já estava na pista dele e a prisão aconteceria de qualquer maneira.

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