Advogado critica polícia e sugere crime de negócios
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O advogado da família Staheli, João Mestieri, levantou ontem a suspeita de que um estrangeiro tenha assassinado o casal norte-americano, classificou a investigação da polícia fluminense de ''quase ingênua'' e reiterou a sugestão de que o crime pode ter relação com negócios feitos pelo executivo da Shell no exterior. Zera Todd e Michelle foram atacados dia 30, em sua casa, em um condomínio na Barra da Tijuca.
Mestieri defendeu a apuração ''independente'' dos agentes do FBI, que ouviram os filhos mais velhos do casal, de 10 e 13 anos, por cinco horas. ''Respeito muito a polícia brasileira, agora existe na natureza humana uma tendência ao caminho mais fácil, que já provou ser improdutivo. É uma solução cômoda: não há violência no Rio, a violência é importada, e isso aconteceu entre eles (a família). Todos são pressionados para uma solução, mas só há um caminho: investigar todas as possibilidades, que é o que o FBI está fazendo, e não ficar nessa hipótese de uma garotinha de 13 anos e um pirralho de 10 anos terem trucidado seus pais simultaneamente'', afirmou o advogado. ''Isso não é coisa de criancinha.''
Mestieri disse não acreditar em ''má-fé'' do secretário da Segurança Pública do RJ, Anthony Garotinho, que já insinuou a eventual participação de alguém da família. ''A tese de que ninguém entrou e ninguém saiu da casa, logo só pode ter sido um deles (os filhos), é muito simples, quase ingênua. Um profissional não deixa vestígios. Mas há detalhes não profissionais, claro, porque por ser tão profissional ele vai tentar despistar criando detalhes não profissionais.''
O advogado defendeu que a investigação seja estendida para os locais de trabalho do executivo fora do Brasil. ''É importante refazer toda a viagem: Rússia, Arábia Saudita, Bolívia, verificar o que ele (Todd) veio fazer no Brasil. Ele veio aqui simplesmente ocupar um posto ou ele teve uma especial missão?''


