O advogado de defesa do padre Silvio Andrei, Walter Bittar, protocolou na manhã de ontem no Fórum de Ibiporã, um pedido de reavaliação das imagens do circuito interno da Delegacia Civil onde o padre foi preso na madrugada de domingo. Para o advogado, as imagens podem revelar que houve abuso no tratamento ao padre, além de mostrar que as provas apresentadas pela polícia contra Andrei podem ser nulas. Um novo inquérito policial deve investigar se ouve algum tipo de agressão, o motivo da utilização de algemas no sacerdote e como as imagens do padre nu chegaram até a imprensa.
A pedido do juiz Sérgio Aziz Neme, o delegado de Ibiporã, Marcos Belinati, apresentou a ele as imagens registradas na delegacia no momento da prisão. Foi depois disso que o juiz determinou a abertura de um novo inquérito policial que deverá tramitar em segredo de Justiça. ''Assistimos às imagens juntos e ele entendeu que houve abuso por parte dos policiais. Para apurar isso, instauramos então um novo inquérito e vamos ouvir todas as pessoas envolvidas no dia do fato'', disse o delegado.
Segundo o delegado, no dia da prisão de Andrei, estavam presentes policiais militares, um civil e também pessoas da imprensa. ''Vamos tentar apurar três situações, se ouve realmente algum abuso físico ao padre; o porque do uso das algemas e como as imagens dele foi parar na imprensa. Se houver necessidade, vamos ouvir o padre também'', explicou.
O advogado de Andrei disse que o padre foi para casa dele em São Paulo onde deverá permanecer. Ele terá que comunicar a polícia caso tenha que se ausentar. ''As provas que a polícia aponta contra ele não evidenciam nada e essas imagens poderão ajudar a mostrar isso. O juiz entendeu que deve haver sigilo no caso porque as imagens expõem demais o padre'', disse Bittar. A Folha tentou falar com o juiz, mas ele não atendeu a imprensa.

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