Rio, 11 (AE) - O técnico em informática, Luiz César de Oliveira, investigado pela Polícia Federal como a pessoa que recebia na Espanha a cocaína traficada em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e, por isso, com prisão preventiva decretada, está no Brasil desde a semana passada, embora a PF desconheça seu paradeiro. A informação foi confirmada por seu advogado, Edson Ribeiro, que, na quinta (13) vai entregar à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico um requerimento pedindo que um representante da comissão ou uma autoridade policial o acompanhe até Madri, onde pretende reunir provas inocentando seu cliente.
"Temos todo o interesse em mostrar que o Luiz César não tem nada a ver com isso e quero levantar as provas junto com a polícia e a CPI", afirmou Ribeiro, que só depois de reunir o material irá apresentar o pedido de habeas corpus. Segundo a assessoria de imprensa da PF, como cidadão brasileiro, Oliveira não precisou apresentar identificação ao ingressar no País e, portanto, as autoridades não tiveram conhecimento de sua chegada. Ele é irmão do tenente-coronel aviador Paulo Sérgio Pereira Oliveira, preso por ter entregue em 19 de abril duas malas, contendo 33 quilos de cocaína, à tripulação do Hércules C-130 que faria escala em Las Palmas, na Espanha.
No Inquérito Policial-Militar (IPM) aberto para investigar o caso, o coronel Pereira disse desconhecer o conteúdo das malas, enviadas, segundo ele, a pedido de seu irmão. O oficial afirmou que já tinha mandado outras encomendas para Oliveira em aviões da FAB. Na versão de Oliveira, segundo seu advogado, não era apenas ele que recebia material pelos aviões da FAB. Eram enviadas também encomendas para Roberto Monteiro Zau, outro suposto integrante da quadrilha, com prisão decretada e foragido. Oliveira contou ao advogado que, em agosto do ano passado, Zau o procurou. Ele disse estar precisando de um profissional da área de informática para selecionar e comprar componentes eletrônicos na Espanha. O nome de Oliveira, teria alegado Zau, seria uma indicação do coronel-aviador Washington Vieira da Silva - também acusado de fazer parte da quadrilha e que está foragido - que, por sua vez, teria consultado o coronel Pereira.
Encomendas - Desempregado, Oliveira, então, teria aceitado o trabalho e, mesmo sem nenhum contrato assinado, começou a fazer viagens para a Espanha em setembro. "Em pelo menos uma ele foi acompanhado do próprio Zau", contou Ribeiro. O material comprado não era enviado para o Brasil: segundo o técnico, Zau estaria montando um escritório em Madri. Quando estava na Espanha, embora voltasse ao Brasil com frequência, Oliveira sentia necessidade de fazer encomendas pessoais ao irmão - que o advogado disse não saber quais eram. Com elas, viriam também malas destinadas a Zau e retiradas pelo motorista de táxi Manolo, acostumado a fazer pequenos serviços às tripulações da FAB.
Segundo Ribeiro, o técnico garantiu que seu irmão é uma pessoa honesta e não acredita no seu envolvimento na quadrilha. O advogado disse que pediu a Oliveira um relatório detalhado de suas idas e vindas à Espanha, além de nomes de lojas, fornecedores e pessoas com quem mantinha contato em Madri. Esse material ficou de ser entregue ao advogado amanhã (12) e será, então, anexado ao requerimento à CPI. "Apesar do pedido de prisão, ele voltou ao Brasil porque quer provar sua inocência e mostrar que foi usado, sem saber, para facilitar o envio da cocaína em aviões militares", afirmou Ribeiro.

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