Campinas, SP, 01 (AE) - O Ministério Público de Campinas está investigando pelo menos quatro roubos de cargas que teriam sido comandados pelo advogado Artur Eugênio Mathias, preso ontem (30) em Campinas. Ele foi identificado por um dos integrantes de uma quadrilha que roubou três caminhões carregados de cigarros no dia 3 de maio, no quilômetro 426,8 da Rodovia Anhanguera, próximo a Igarapava. Em seu depoimento, o acusado disse que Mathias teria sido o mentor intelectual da ação.
O informante, que atuou como motorista da quadrilha, foi beneficiado com liberdade provisória, mas seu nome está sendo mantido em sigilo para evitar um atentado. Na última quinta-feira, ele pediu para ser ouvido novamente pelo juiz de Igarapava, Humberto Aparecido da Rocha. No depoimento, contou que Mathias apresentou-se na cidade como seu advogado mas, na realidade, teria sido o mentor intelectual do roubo. O acusado disse que resolveu denunciar o advogado por ter se sentido abandonado.
"As informações indicam que o advogado coordenou pelo menos outros quatro roubos de cargas", disse hoje o promotor do MP em Campinas, Ricardo Silvares. Ele esteve em Igarapava na última quinta-feira para acompanhar o depoimento do acusado. Segundo ele, o informante revelou detalhes do método adotado pelo advogado. "Mathias organizava os grupos e coordenava as ações usando um telefone celular", disse.
O advogado, segundo Silvares, planejava as ações, dividia as tarefas e determinava os pontos de armazenamento das cargas roubadas. "Também estamos investigando se houve envolvimento de funcionários das empresas que faziam o transporte dascargas", disse. Em seu depoimento, o informante disse conhecer o empresário foragido Willian Sozza, mas não soube precisar a sua ligação com os crimes.
Os roubos que estão sendo investigados, segundo o promotor, ocorreram na rodovia Anhanguera, entre 98 e 99. As ações, de acordo com Silvares, envolveram cargas de cigarros, remédios e cosméticos. Os produtos seriam distribuídos na região norte de São Paulo e no Mato Grosso. O carregamento de cigarro no qual o informante estava envolvido foi recuperado pela polícia. A carga estava avaliada em R$ 331,6 mil.
As informações prestadas pelo integrante da quadrilha serviram de base para que a Juiz de Igarapava decretasse a prisão preventiva do advogado. Ele foi detido ontem (30) e está numa cela do quartel da Polícia Militar em Campinas. Considerado o "braço jurídico" do crime organizado, Mathias chegou a ser preso durante os trabalhos da CPI do Narcotráfico na cidade, há duas semanas, mas foi posto em liberdade depois de obter um habeas corpus do Tribunal de Justiça de São Paulo.
No processo 450/99, aberto pela Justiça de Igarapava com base no depoimento do informante, Mathias é acusado de formação de quadrilha e roubo de cargas. Caso seja condenado, o advogado poderá pegar dez anos de prisão. O advogado Salvador Scarpelli, que defende Mathias, não foi localizado hoje para falar sobre o assunto. O integrante da quadrilha que denunciou Mathias está pedindo para ser incluído no Serviço de Proteção a Testemunha.

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