Rio, 28 (AE) - O advogado José Augusto Marcondes de Moura Júnior confirmou hoje que trabalhou para o piloto Ivanilson Alves, homem de confiança do traficante Leonardo Dias Mendonça, preso em novembro, em Goiânia. Ele negou, no entanto, que conhecesse Mendonça. Segundo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, o traficante era chefe, junto com o ex-ditador surinamês Dersi Butherse, de um suposto cartel internacional de drogas que atuava na rota Colômbia-Suriname-Brasil.
"Jamais tive contato com Leonardo, não o conheço", disse. Moura Júnior contou que defendeu Alves em processo de evasão de divisas, movido pelo Ministério Público (MP) de Santarém (PA), em 1998. O piloto havia sido preso pela Polícia Federal (PF) com cerca de US$ 100 mil de origem desconhecida.
"O dinheiro foi obtido com a venda de um avião do Ivanilson, tanto que o processo acabou sendo trancado por falta de provas", alegou.
O advogado, que negou estar sendo procurado pela polícia
confirmou ainda que recebeu um depósito da mulher de Alves, Jelma Conceição Rocha Silva, mas não soube lembrar o valor. Moura Júnior aparece como o beneficiário de uma transferência de US$ 7 mil feita da conta de Jelma na casa de câmbio Cruzeiro, do surinamês Bassoo Yanano Kemag Basso, em Belém. O surinamês seria um dos doleiros que, de acordo com a PF, lavava o dinheiro da droga vendida pela quadrilha de Mendonça.
"O depósito que recebi foi em reais e é referente ao pagamento dos meus honorários de advogado no processo de Ivanilson", justificou Moura Júnior. Ele contou que conheceu o piloto por meio de Alves, em Belém, após defender o traficante José Miguel Vilaverde, mais conhecido como "Miguel Argentino", em processo no qual era acusado de ser um dos mandantes do assassinato do senador Olavo Pires. O senador foi morto com 16 tiros de metralhadora, em outubro de 1990, no centro de Porto Velho, em meio à campanha eleitoral ao governo estadual.
"Miguel Argentino" mantinha negócios com o ex-deputado Jabes Rabelo, cassado em 1991, por estar supostamente envolvido com o tráfico de droga. Segundo depoimento do mecânico César Luiz Camargo à PF na época, Pires teria sido assassinado por ter "passado a perna" num dos sócios dele no narcotráfico em Rondônia - entre quais, estariam Rabelo e Vilaverde.
Moura Júnior foi citado pelos pilotos José Carlos Carlini e Wilton Borges Alves, integrantes da quadrilha de Mendonça, em depoimento à CPI do Narcotráfico, na semana passada. Segundo eles, foi o advogado quem os procurou na cadeia
oferecendo os serviços para os defender. O objetivo, no entanto
era obter a assinatura dos presos num papel em branco, que, posteriormente, seria usado para forjar contrato de arrendamento dos aviões apreendidos com cocaína pela PF.
Com o golpe, era possível livrar de qualquer responsabilidade os chefões da quadrilha e ainda recuperar os aviões. "Acho que isso não passa de mágoa pelo fato de eles terem sido condenados", disse.
Moura Júnior explicou que foi advogado apenas de Borges. "O Carlini foi defendido pelo meu sócio Cassiano Ricardo, com quem teve um desentendimento, mas acho que o Cassiano não seria capaz de fazer isso", completou.
Em 12 anos de carreira, Moura Júnior não se destacou apenas por defender traficantes. Ele também foi advogado do especulador Najun Turner, que ficou conhecido pelo envolvimento na Operação Uruguai, em 1992, montada para tentar comprovar a origem duvidosa de US$ 3,5 milhões usados na campanha eleitoral do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

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