Embora a igreja condene o aborto e quem o faz, a vida de C.B.S. não será transformada num inferno quando voltar para Israelândia. ‘‘Se a C.B.S. for hostilizada, vou defender os direitos dela e de sua família’’, garantiu ontem o promotor Reuder Cavalcante Motta. O promotor é o mesmo que, no mês passado, ao recorrer contra a autorização de aborto dada pelo juiz João Geraldo Machado, transformou o caso em polêmica.
‘‘O cristão deve saber perdoar’’, disse o promotor. ‘‘E a igreja, que ensina a perdoar, é a mesma que não poderá hostilizá- la em Israelândia’’.
Porém, apesar das recomendações contrárias do padre Luiz Carlos Loddi da Cruz, de 34 anos, que a partir de Anápolis comanda a cruzada da igreja contra o aborto em Goiás, não há como impedir que ela seja tratada ‘‘com indiferença’’ por uma parte da cidade.
Na volta para casa, a menina terá assistência da psicóloga Maria da Glória Vilela, por determinação judicial. Poderá voltar à escola municipal, onde faz a 3ª série do primeiro grau. C.B.S. também terá de depor e enfrentar na Justiça seus vizinhos Benedito de Souza Morais e José Benedito Afonso, no processo criminal de estupro continuado. Os criminosos estão presos.
O caso divide a cidade. Por isso, a advogada Sandra Mara Barreto de Souza acredita que ‘‘o melhor para o futuro de C.B.S. e da sua família é mudar de cidade’’.Epitácio Pessoa/AEDramaA menor C.B.S., de 10 anos, deixa o Hospital do Jabaquara com o rosto coberto, cercada por funcionários do hospital e familiaresRubens Santos
especial para a AE

mockup