São Paulo, 23 (AE) - A advogada Maria Lígia Januzi foi a última depoente da sessão de hoje da CPI dos Fiscais. O comerciante Nelson das Bolsas, cujo nome completo não foi divulgado, não compareceu. Defensora de Aparecida Martins Santiago, acusada de recolher dinheiro de propina dos camelôs do Viaduto Santa Ifigênia, ela prestou depoimento como informante, sem prestar juramento. Os membros da comissão entenderam que Maria Lígia poderia ser processada por falso testemunho caso se recusasse a prestar declarações sigilosas da seu cliente, garantidas pelo código de ética de sua profissão.
Maria Lígia voltou a afirmar, como dissera antes à polícia, que foi procurada por dois advogados e coagida a convencer sua cliente a mudar seu depoimento inicial. Um deles chegou a dizer que diria à Aparecida na prisão tudo o que ela deveria falar. A advogada repetiu a história de que o advogado de Hanna Garib, Alberto Rollo, presidente do Conselho de Prerrogatórias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), chamou-a até seu escritório da OAB para lhe falar sobre irregularidades em sua inscrição na ordem. Hanna Garib teria ligado para Rollo enquanto ela estava no escritório.
Afirmou ainda que está temerosa e se sentindo pressionada, pois recebe, todas as madrugadas, telefonemas sem identificação. Impugnação - A CPI dos Fiscais recebeu, no início da noite de hoje, uma petição do advogado Rollo pedindo a impugnação dos depoimentos tomados hoje. O advogado justificou seu pedido dizendo que essas mesmas testemunhas haviam sido ouvidas informalmente na noite de ontem, o que seria irregular. Os vereadores da CPI estariam, segundo Rollo, "preparando" as testemunhas para depor. O presidente da comissão contesta, alegando que tratou-se de uma diligência para checar previamente quais seriam os testemunhos. Os depoimentos informais foram gravados.
O deputado estadual Hanna garib (PPB) foi convidado a depor amanhã (24), às 14 horas, na CPI dos Fiscais.

mockup