Advogada negociou apresentação à polícia
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Por Claudia Fontoura 
São Paulo, 01 (AE) - A apresentação do vereador Vicente Viscome à polícia foi negociada no início da tarde de ontem (31) por sua advogada, Lúcia Seyssel, com o delegado coordenador do esquema operacional da Corregedoria da Polícia Civil, Emerenciano Dini. Segundo o delegado, uma pessoa que não pode ser identificada "fez a ponte" com a advogada. Lúcia ficou sabendo que a polícia estava chegando perto do esconderijo de Viscome e resolveu conversar com Dini. "Ela nos procurou por volta das 14 horas", contou Dini. "Veio disposta a negociar a apresentação do vereador."
Depois de alguns minutos de conversa, Lúcia saiu da sala com o telefone celular e ligou para Viscome. "Voltou e negociou a apresentação", afirmou Dini. Ficou acertado que Viscome se apresentaria espontaneamente se sua imagem fosse preservada da imprensa. "Concordei porque ter a imagem preservada é um direito constitucional", declarou Dini.
Lúcia deixou a Corregedoria e ligou meia hora mais tarde para saber se o acordo estava mantido. Às 20h10, Viscome chegou. "Quando se apresentou, ele chorou muito e disse que estava nascendo novamente porque já havia pensado em suicídio", disse o delegado. Dini cumpriu o mandado de prisão e levou-o ao 5.º andar, onde Viscome ficará "recepcionado".
O vereador ficará isolado numa sala com grades e banheiro, mas sem chuveiro, cama, telefone ou televisão. Para dormir, terá de usar um sofá revestido de plástico. "Para tomar banho, ele vai ter de se virar com o lavatório", explicou Dini. Viscome também está proibido de receber a família no local.
O advogado de Viscome, Sidney Rodolfo Machado, confirmou a negociação. "Nossa orientação era para que ele se apresentasse há uma semana", disse. "Estávamos aguardando a decisão favorável ao habeas-corpus do Superior Tribunal de Justiça que acabou não saindo", disse.
Segundo Machado, mesmo sabendo que corria o risco de ser preso, Viscome quis apresentar-se. "Estava sofrendo pressão muito grande", disse. "Não queria mais se esconder." Com o acordo, ele diz, Viscome poderia apresentar-se na Corregedoria e livrar-se da "pressão" dos delegados Naief Saad Neto e Romeu Tuma Júnior, que investigam a máfia dos fiscais.
Sobre a negociação, o promotor José Carlos Blat disse: "Meu foco é o Viscome e o importante é que ele está preso e prestando depoimento". Blat afirmou que qualquer irregularidade nessa negociação será apurada mais tarde.


