São Paulo, 30 (AE) - Lúcia Campos, advogada de José Manuel Alves, antigo proprietário do apartamento onde mora o prefeito Celso Pitta (PTN), disse que o mercado e a necessidade financeira é que determinam o preço de venda de um imóvel. Alves vendeu o apartamento onde vive Pitta para Monica Lopes Gabriotti em março do ano passado. Monica pagou R$ 95 mil, valor considerado abaixo do mercado, segundo imobiliárias consultadas pela reportagem.
O apartamento foi vendido por um valor inferior ao de um flat da categoria do The Sutton House, onde mora Pitta. De acordo com especialistas, um apartamento no The Sutton House custa em média R$ 300 mil - ou seja, cerca de 215% a mais que o valor de compra registrado. "Às vezes você precisa vender um imóvel rápido e pode aceitar um valor abaixo do mercado", afirmou Lúcia, advogada de Alves. Ela disse que não se lembra exatamente da negociação do apartamento no The Sutton House, mas garantiu que Alves não mantém nenhuma relação com Pitta. "Não há qualquer envolvimento do meu cliente com o prefeito."
Alves foi contactado pela reportagem ontem (29) e, a princípio, disse que o valor de venda estava dentro do mercado. Depois, afirmou que não se lembrava com certeza e que iria consultar os advogados que teriam feito a transação. Lúcia afirmou que ela apenas avaliou se havia algum problema jurídico com os papéis da compradora e que o valor da venda foi definido por Alves.
Aluguel - A polêmica em torno do apartamento onde mora Pitta começou quando ele afirmou pagar R$ 1.500 por mês de aluguel, quando o valor de mercado pode chegar a R$ 4.000.
The Sutton House está entre os três flats mais caros e luxuosos de São Paulo, segundo imobiliárias. Além do aluguel, as despesas mensais incluem R$ 937 de condomínio, R$ 174 de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), custos com lavanderia e contas de luz e gás.
Embora afirme que não há nada de errado com a negociação, Pitta não se dispõe a mostrar o contrato de locação. Mas ele e a proprietária podem ter de apresentar o documento ao Ministério Público Estadual (MPE). Advogados do gabinete do vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT) protocolaram hoje uma representação no MPE pedindo que seja investigada a transação, para verificar se a proprietária foi favorecida de algum modo pela Prefeitura e
portanto, se houve improbidade administrativa por parte do prefeito.

mockup