Rio, 15 (AE) - A advogada Ana Neri Fernandes, irmã de Jorgina de Freitas Fernandes, uma das maiores fraudadoras do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), deu entrada hoje em mandado de segurança pedindo a revogação da decisão do presidente do Tribunal de Justiça do RJ que a impede de visitá-la diariamente. A determinação do desembargador Humberto Manes saiu há duas semanas. Sábado passado Jorgina começou uma greve de fome em protesto pela decisão que, segundo ela, cerceia seu direito de defesa, pois Ana Néri é sua advogada em ações cíveis.
Hoje Jorgina tomou apenas água e disse estar se sentindo fraca, mas determinada a continuar a greve. "Ela recusou até a presença de um médico para acompanhá-la", informou o advogado Luiz Carlos de Andrade, que defende Jorgina, condenada a 14 anos de prisão por fraudar em R$ 112 milhões o INSS de São João do Meriti. Contra ela há outro processo na Justiça Estadual, da mesma natureza, mas contra o INSS de Nova Iguaçu.Na Justiça Federal, há mais 18 processos contra Jorgina pelo mesmo motivo. Na área cível ela responde ainda a cerca de 40 processos. "Só que, ao ser extraditada, fez um acordo suspendendo os processos criminais nos quais ainda não havia condenação", explicou Luiz Carlos de Andrade.
Cíveis - Jorgina foi extraditada da Costa Rica e está presa na Companhia Especial de Trânsito da Polícia Militar (CPTran) desde fevereiro do ano passado e não pode recorrer da pena que a condenou porque sua sentença não dá direito a recurso. Sua irmã, Ana Neri, é advogada nos processos cíveis e por isso alega ter direito de visitá-la todos os dias, com outra advogada nestes mesmos processos , Virgínia do Socorro.
O presidente do Tribunal de Justiça entendeu que, como ela está presa por um processo criminal, só o advogado que a defende neste caso pode visita-la diariamente. Segundo o comandante do CPtran, capitão Danilo Nascimento, as visitas familiares são permitidas aos sábados e domingos, entre 13 horas e 17h30. Já os advogados podem visitar seus clientes todos os dias, entre 13 horas e 16 horas.
Sem receber a visita da irmã e da advogada Jorgina alega que tem seu direito de defesa cerceado e chegou ontem a pedir a interferência da Ordem dos Advogados do Brasil.

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