Advogada diz que relatório não surte "efeito no governo federal"
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 16 (AE) - A advogada Cristina Leonardo, que representa na Justiça as famílias das 21 vítimas da Chacina de Vigário Geral, disse que o relatório da Anistia Internacional, divulgado hoje, reproduz "com fidelidade" os desdobramentos do caso. "Infelizmente, relatórios como esses, que revelam a impunidade no País, não surtem mais efeito no governo federal", lamentou. Cristina lembrou que, passados seis anos da chacina, apenas dois dos 50 réus foram condenados.
O processo foi dividido em dois: Vigário 1, com 36 réus, e Vigário 2, com 14. Do primeiro, três estão foragidos e 12 foram absolvidos. Os arrolados em Vigário 2 sequer foram a julgamento. Para a advogada, que também representa um dos sobreviventes da Chacina da Candelária, também em 1993, o relatório mostra que a morosidade da Justiça acaba favorecendo a impunidade. "A Justiça brasileira é muito morosa, parece até que ela foi feita para criminosos, e não para vítimas", disse.
Ela lembrou que, no caso da Candelária, seu cliente, Wágner dos Santos, está morando na Suíça, aguardando ainda a primeira audiência do processo cível que move contra o Estado, do qual tenta obter uma indenização por danos físicos e psicológicos. Quanto às testemunhas de Vigário, elas ainda continuam morando na favela - protegidas pelos moradores. "Para enfrentar a lentidão da Justiça é preciso criar um programa nacional de proteção à testemunha", afirmou. "E esse é, para mim, o principal objetivo do relatório da Anistia", afirmou.


