Advogada diz que pais querem trigêmeas de volta
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segunda-feira, 04 de abril de 2011
Adriana Franco <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A advogada Margareth Zanardini, responsável pela defesa do casal que teria escolhido deixar na maternidade uma das filhas trigêmeas, em Curitiba, afirmou ontem que os pais das crianças estão arrependidos e querem o direito de cuidar das meninas de volta. Após mais de dez pedidos de guarda, junto de solicitações para que a mãe pudesse voltar a amamentá-las, o único retorno positivo da Justiça foi a permissão de visita durante duas horas por semana.
Margareth foi contratada pelo casal em 24 de feveiro, um dia depois do encaminhamento das trigêmeas ao abrigo, sob ordem judicial, quando elas tinham um mês de vida. Ela reclama que os pais, quando foram abordados pela Justiça, ainda no hospital, não estavam acompanhados de nenhum advogado e que não houve nenhum apoio psicológico. Diante desse quadro, a defensora, que é especialista em direito da família, disse que vai entrar com o pedido de nulidade do processo, que está sob segredo de Justiça.
A advogada afirmou ainda que há ''irregularidades'' no processo. ''Há nos autos, por exemplo, a informação de que uma enfermeira da maternidade onde nasceram as trigêmeas teria feito um atestado afirmando que as meninas não precisavam ser amamentadas. Desde quando uma enfermeira tem o direito de dar atestado, ainda mais em uma situação como esta?'', alfinetou.
Ao ser questionada sobre o motivo que levou o casal a querer abrir mão de uma das filhas, a advogada titubeou. Apenas enfatizou que os pais querem ficar com as trigêmeas e que familiares se comprometeram a ajudá-los financeiramente.
O pai é nutricionista e a mãe, economista. Ambos têm menos de 30 anos, o que, segundo Margareth, pode ter contribuído para um ''mal-entendido''. ''A mãe ainda estava em estado puerperal (pós-parto) e vindo de uma reprodução assistida. Isso tudo tinha de ser levado em conta'', reivindicou a advogada.
O casal passou por uma avaliação de uma psicanalista e o laudo será entregue ao juiz responsável pelo caso. A defesa quer provar que a mãe esteve presente na vida das trigêmeas durante os 30 dias que elas estiveram internadas no hospital e que, inclusive, as amamentou durante esse período. Os pais das meninas continuam a optar pelo anonimato. A Justiça não tem comentado o caso.


