Maceió - O traficante Fernandinho Beira-Mar disse ontem, por meio de sua advogada, Cecília Machado, que está sendo tratado pela imprensa como um bode expiatório. ''Ele (Beira-Mar) mandou dizer que a governadora (do RJ) Rosinha Matheus está enganada quando coloca nas costas dele toda a responsabilidade pelos crimes no Estado. Ele está preso, e a violência continua'', afirmou Cecília.
A advogada conseguiu ontem à tarde falar durante 50 minutos com seu cliente. Pela manhã, ela foi recebida pelo superintendente da PF José Paulo Rubim Rodrigues, que havia declarado não ter ordem para permitir o encontro. ''Ele (o traficante) está sem cavanhaque, mais magro e abatido, com saudades da família. Está se sentido um joguete nas mãos das autoridades'', disse a advogada. Segundo ela, Beira-Mar considerou ''um absurdo'' os assassinatos dos juízes Antonio José Machado Dias e Alexandre Martins de Castro Filho.
Ela reclamou que os advogados de Beira-Mar não foram informados sobre a transferência do traficante de Presidente Bernardes (SP) para Maceió. A advogada disse que pretende saber também da Polícia Federal qual será a rotina do preso e os procedimentos que serão adotados na carceragem durante a permanência dele no local. Ela disse que a defesa vai tentar levá-lo de volta ao Rio de Janeiro, ''onde houve o crime, onde ele tem família e deve cumprir a pena''. ''O Estado que tem que arcar (com a custódia) é o Rio de Janeiro.''
''Posso garantir que a nossa condição para dar essa custódia temporária, se não for melhor, é pelo menos igual ao local de onde ele saiu'', afirmou José Paulo Rubim Rodrigues. Beira-Mar foi transferido quinta-feira do presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. O traficante permanecerá cerca de 40 dias em Alagoas, até que sejam concluídas as obras na penitenciária de Teresina (PI), para onde ele será levado (leia texto ao lado).

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