Campinas, SP, 10 (AE) - O legista Badan Palhares negou hoje ter feito, de 1995 a 1999, retiradas em suas contas bancárias incompatíveis com os rendimentos declarados no mesmo período, conforme revelou o deputado federal Pompeu de Mattos (PDT-RS), sub-relator da CPI do Narcotráfico, em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo". Segundo Mattos, o perito teria sacado R$ 2 7 milhões e declarado um rendimento da ordem de R$ 1 milhão. Os números teriam sido obtidos a partir da quebra do sigilo fiscal e bancário do legista, suspeito de vender laudos.
"Essa afirmação é mentirosa, irreal e inverídica", disse a advogada do legista, Tereza Doro. Segundo ela, os R$ 2,7 milhões referem-se à movimentação financeira. "Ele (Badan) fez vários saques para aplicar no mercado financeiro e o dinheiro voltava para as mesmas contas acrescido dos rendimentos", explica. "Os deputados somaram só as saídas, mas o capital é o mesmo, porque o dinheiro sempre voltava para as mesmas contas", alega.
De acordo com a advogada, estas operações também eram feitas pelos dois filhos do legista. "Para movimentar as contas, eles usavam o CPF do pai", diz a advogada. Segundo ela, isso explica a existência de nove contas bancárias em nome de Palhares num mesmo banco. "Se a CPI subtrair dos R$ 2,7 milhões os valores correspondentes aos saques, depósitos e lucro financeiro, verá que o resultado coincide com os rendimentos declarados", garante.
A advogada também negou que o legista tenha depoisitado R$ 2 mil na conta do advogado Arthur Eugênio Mathias, conforme teria revelado o sub-relator da CPI. Mathias foi preso durante os trabalhos da CPI em Campinas, em novembro do ano passado, sob acusação de integrar o crime organizado na região. "Badan não conhece e nunca falou com Mathias", afirma a advogada. Nos extratos do legistas, segundo ela, não consta essa operação.
A CPI, segundo a advogada, não poderia ter divulgado dados considerados sigilosos. "Os deputados obtiveram permissão para examinar as contas bancárias, e não para divulgá-las de maneira escandalosa", disse. Para ela, Badan está sendo vítima de uma perseguição particular pelo sub-relator da CPI. "Por que só os dados do meu cliente foram revelados, se outras pessoas também estão sendo investigadas?", questiona.
A advogada disse que a revelação dos números poderá colocar em risco a segurança da família do legista. "Esse tipo de informação gera a cobiça de marginais, que poderão sequestrar alguém da família", afirma. "Se algo acontecer ao meu cliente ou a qualquer membro de sua família, vamos responsabilizar quem deu as informações e quem as divulgou", disse.

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