Advogada de Palhares considera ótimo PF investigar14/Mar, 15:07 Por Clayton Levy Campinas, SP, 14 (AE) - A advogada do médico legista Fortunato Badan Palhares, Tereza Dóro, afirmou hoje, em Campinas no interior de São Paulo, que achou ''ótima'' a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Polícia Federal (PF) investigue a atuação dele na análise dos corpos do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino. "Achei ótimo porque, finalmente, poderemos provar tudo que temos defendido", disse Tereza. Desde o início, Palhares descartou a hipótese de duplo homicídio, insistindo na tese de que Suzana teria assassinado PC e, depois, cometido suicídio. "Era a oportunidade que estávamos esperando para demonstrar a verdade de uma vez por todas", disse a advogada. "Agora, finalmente, poderei examinar documentos do inquérito aos quais não vinha tendo acesso", completou. Entre estes documentos, ela cita uma fotografia de Suzana usada para contestar a versão, defendida por Palhares, de que a namorada de PC era maior que ele. Segundo Palhares, Suzana media 1,67 metro e PC, 1,63 metro. Um segundo laudo elaborado pelo perito Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), sustenta que a namorada de PC media 1,57 metro, o que tornaria inválida a versão de suicídio. No mesmo documento, porém, Munhoz relata que, ao medir o cadáver de Suzana, constatou que a distância vertex-calcâneo (da extremidade da cabeça aos pés) era de 1,67 metro. Por outro lado, Munhoz explica que a estatura de Suzana foi calculada em 1,57 metro, com base no comprimento dos ossos longos (fêmur e tíbia). Para a advogada de Palhares, esses dados reforçam a primeira versão. "Cabe ao perito da USP explicar as diferenças contidas no seu laudo", disse Tereza. A advogada disse que também pedirá a fita de vídeo com imagens do debate entre Palhares e Munhoz, realizado em 1999, em Maceió. Segundo ela, a Justiça de Alagoas negou o pedido de Palhares para examinar o material. "O outro perito (Munhoz) teve acesso a tudo", protesta. "Queremos examinar todos os documentos para contestar os itens da segunda perícia", disse. A determinação para que a PF investigue a conduta de Palhares tem como objetivo esclarecer se a perícia ajudou a conseguir a impunidade do deputado federal Augusto Farias (PFL-AL), irmão de PC. Para o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, há indícios da participação do parlamentar nas mortes. A PF terá 60 dias para investigar o legista e levantar a evolução patrimonial dele.

mockup