Uma frase dita no depoimento do motoboy Francisco de Assis Pereira, anteontem à noite, alterou a convicção da defesa em relação ao caso. Segundo a advogada de Pereira, Maria Elisa Munhol, ele teria admitido usar ‘‘práticas sexuais não usuais’’. Segundo ela, ele negou envolvimento com os casos do Parque do Estado e descreveu sua vida desde a infância.
Algumas contradições surpreenderam. ‘‘Não sou perita nem técnica, mas nos chamou a atenção a sua resposta em relação à conduta de sua sexualidade, o que pode indicar um transtorno de personalidade e sexual’’, afirmou Maria Elisa. ‘‘Podemos ter uma pessoa sã ou doente; no segundo caso, devemos tratá-la como tal.’’
Se for provada a insanidade de Pereira, ele pode ser considerado inimputável. ‘‘Devemos respeitar o doente’’, disse a advogada. ‘‘Quem não tem cura, no Brasil, acaba marginalizado e tratado como animal; isso não pode acontecer.’’
Antes de acompanhar o depoimento do motoboy, a linha de defesa era contestar todas a provas que fossem apresentadas pela polícia com laudos paralelos. Isso pode já não ser feito. Possivelmente, os defensores vão pedir exame psiquiátrico para provar a sanidade ou não de Pereira.
Na opinião da advogada, Pereira deve ser submetido a uma avaliação psiquiátrica, mas, segundo a advogada, quem decidirá isso é o ‘‘dono do
inquérito’’ (o promotor que acompanha o caso). Segundo a advogada, o acusado negou qualquer envolvimento com os crimes. Maria Elisa disse que podem ter ocorrido algumas contradições durante as sete horas de depoimento, mas ela, alegando estresse, não soube dizer quais.
A advogada afirmou que a psiquiatra Regina (ela não soube informar o nome), designada pelo Ministério Público para acompanhar o depoimento, não opinou sobre a personalidade de Pereira. A advogada disse que, apesar de acreditar que ele tenha problemas, isso não significa que ela esteja admitindo que Pereira seja culpado.

mockup