Advogada aproveita escândalo e pede fim da comissão que analisa processo contra Maeli
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Jobson Lemos, especial para a AE 
São Paulo, 05 (AE) - A Comisão Processante que analisa a cassação da vereadora Maeli Vergniano (sem partido) ouviu hoje as últimas testemunhas indicadas pela defesa em clima de certo constrangimento. Os dois parlamentares que nos últimos dias protagonizaram o escândalo envolvendo tentativas de extorsão e ameças de morte estavam lado a lado. Maria Helena (PL) e Salim Curiati Júnior (PPB) fazem parte da comissão e sentaram-se, cada um, em uma ponta da mesa. "Foi coincidência, nós sempre sentamos nesses lugares", disse Curiati. Ele, entretanto, confirmou o desconforto da comissão. "Está um clima muito ruim na Casa e não poderia ser diferente nesta comissão".
A advogada de Maeli, Tânia Liz, aproveitou-se dos fatos que envolvem os dois parlamentares para pedir a dissolução da comissão. O pedido foi indeferido, mas ela afirmou que apresentará nova solicitação, desta vez por escrito. Documento que deve questionar a capacidade moral dos parlamentares emitirem parecer sob as acusações contra Maeli. O relatório final da comissão deve ser apresentado ao plenário da Casa até o fim do mês, apesar de o grupo de parlamentares ter até 16 de setembro para concluir os trabalhos. "Não há mais o que protelar", disse o vereador Mouhamad Mourad (PL).
Ele e a presidente da comissão, vereadora Ana Maria Quadros (PSDB) estavam hoje preocupados com a segurança do grupo de parlamentares que integra a comissão. Telefonemas misteriosos
que até poucos dias atrás, eram tidos como meros trotes ganharam maior importância. "São ligações em que ninguém fala nada", disse Mourad. Segundo ele, esses telefonemas têm sido constantes durante este ano. Ana Maria Quadros também comentou sobre as ligações anônimas. "Todos os membros da comissão receberam telefonemas".
Ela pediu à presidência da Câmara que fosse providenciada alguma forma de proteção aos vereadores. "Dados os fatos ocorridos, pedimos segurança". Depoimentos - Hoje, Maria Helena chegou ao plenário, onde são tomados os depoimentos pela comissão, com a mesma roupa com a qual deixou o Instituto de Criminalística (IC) após ser indiciada. Ouviu as declarações do ex-assessor de Maeli, Rubens Moura, e deixou a Câmara. Logo em seguida foi a vez de Curiati deixar o plenário para conceder uma entrevista à uma rede de televisão sobre as ameaças que recebeu e os desdobramentos de sua denúncia à polícia.
Além de Moura, o irmão de Maeli também prestou depoimento hoje. Mácio Tristão Verniano, a exemplo do ex-assessor de Maeli, negou ter conhecimento de irregularidades envolvendo sua irmã no período em que foi administrador regional de Pirituba.


