Adversários de Pinochet tentam reverter decisão britânica
Londres, 13 (AE-AP) - Adversários do ex-ditador chileno Augusto Pinochet tentaram hoje (13) impedir que ele fosse repatriado para o Chile por razões humanitárias. O prazo estabelecido pelo Ministério do Interior britânico para apresentação de recursos contra a provável concessão do benefício a Pinochet encerra-se às 17 horas locais (15 horas de Brasília) da terça-feira. Organizações de direitos humanos e a Justiça de países que pediram à Grã-Bretanha a extradição do general - Espanha, França, Suíça, Suécia e Bélgica - terão de enviar suas alegações a Londres sem que tenham acesso ao relatório médico que recomenda a libertação de Pinochet sob o argumento de que ele é clinicamente incapaz de suportar um julgamento. O documento foi posto sob sigilo judicial pelo governo britânico.
Familiares e partidários do ex-ditador esperam que o ministro da Justiça, Jack Straw, anuncie oficialmente a libertação de Pinochet já na terça-feira. Um avião da Força Aérea chilena, especialmente equipado com pessoal e aparelhos médicos, chegou hoje a Londres para levar Pinochet.
Em Madri, o juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón, responsável pela ordem de prisão internacional que levou as autoridades britânicas a capturar Pinochet em outubro de 1998, preparava ontem uma série de alegações judiciais para apresentar amanhã à Justiça britânica. Mas o diretor-geral de comunicação do Ministério de Relações Exteriores, Joaquín Pérez Villanueva, reiterou hoje que o governo espanhol não tem intenção de fazer tramitar a Londres as alegações de Garzón. Na terça-feira, o chanceler espanhol, Abel Matutes, havia declarado que Madri "respeitaria" a decisão de Straw, caso o governo britânico se decidisse pela concessão do benefício humanitário a Pinochet.
Organismos de defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional, Redress Trust e Care criticaram a decisão do governo britânico de não divulgar o relatório médico e pediram a realização de novos exames, capazes de constituir uma segunda opinião sobre a saúde do ex-ditador. Já a Human Rights Watch estimou que "o tema do direito de Pinochet à vida privada é delicado". Seu diretor, Reed Broody, contudo, dava implicitamente a causa por perdida ao lamentar que o general não vá para a prisão. Pinochet não seria encarcerado mesmo que fosse condenado num julgamento em Madri, pois a Justiça espanhola concede anistia a sentenciados maiores de 70 anos.
Sem dar detalhes, uma nota do Ministério do Interior britânico informara na terça-feira que, de acordo com o relatório médico, o estado de saúde de Pinochet agravou-se entre setembro e outubro do ano passado, quando o ex-ditador sofreu dois pequenos derrames.
Pinochet sofre de diabete e problemas cardíacos que o obrigaram a implantar um marcapasso. Mas fontes de imprensa da Grã-Bretanha destacaram hoje que foram as deterioradas condições mentais - mais do que as físicas - do ex-ditador que levaram Straw a inclinar-se pela libertação.





