Adultos também têm calendário de vacinação
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sexta-feira, 10 de setembro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Desde abril deste ano, portaria assinada pelo ministro da Saúde, Humberto Costa, estabelece que, a exemplo das crianças, adolescentes, adultos e idosos também têm calendários específicos de vacinação. A grande novidade na decisão ministerial refere-se às consequências para quem não se submeter a esse calendário. A portaria prevê que, para efeito de recebimento de benefícios sociais, matrícula em escolas, alistamento militar e contratação trabalhista, seja exigido comprovante de vacinação atualizado.
São três calendários distintos: para crianças, para adolescentes, e para adultos e idosos. Cada um prevê a série de imunizações necessárias, de acordo com as vacinas ministradas anteriormente ou não. Adolescentes, por exemplo, podem receber até três doses de vacinas contra doenças como a difteria, tétano e hepatite B. Adultos devem tomar doses de reforço da vacina contra difteria e tétano a cada dez anos; e pessoas com 60 anos ou mais, além da vacina anual contra a gripe podem receber dose única contra pneumonia.
''A necessidade de vacinas pelo adulto vai depender do estado vacinal dele'', diz Karin Luhm, diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria da Saúde de Curitiba. Ela explica que quem tomou as vacinas da infância, deve fazer só o reforço da dupla (tétano e difteria) a cada dez anos ou a cada cinco se tiver ferimento grave ou engravidar. Se não tomou ou não sabe, deve se vacinar também com a tríplice viral, contra rubéola, caxumba e sarampo. Ela explica, ainda, que há três tipos de meningite meningocócica: A, B e C, sendo que não há vacina contra o tipo B. As vacinas contra os tipos A e C estão disponíveis nos serviços públicos apenas em casos de surtos da doença.
Atualmente são disponibilizadas gratuitamente à população vacinas contra 13 doenças, inclusive outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo B, nos postos da rede pública para vacinação de rotina. Entre as vacinas mais importantes na idade infantil, só a contra a catapora não é ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Plano Nacional de Imunização (PNI) também implantou a vacinação de adultos. Mulheres em idade fértil, entre 12 a 49 anos, recebem a dupla bacteriana, contra tétano e difteria.
Idosos a partir de 60 anos são imunizados contra gripe, tétano e difteria, em todos os postos do País. Aqueles hospitalizados e residentes em asilos e casas geriátricas também são vacinados contra a pneumonia. Além das vacinas do calendário oficial, existem as chamadas eventuais. É o caso da vacina contra febre amarela, que é aplicada, na região Sul apenas em ocasiões especiais, como quando se viaja para zonas endêmicas ou quando é detectado algum vírus novo.
A presidente da Associação dos Médicos Homeopatas do Paraná, Maria Teresa Infante Araújo, alerta para o perigo das pessoas usarem vacinas demais. ''O calendário é voltado para a uma determinada população, de menor baixa renda, mais desnutrida e que está mais suscetível a doenças'', diz, ressaltando que a homeopatia tem preocupação em não dar vacinas em excesso. ''É frequente as crianças apresentarem transtorno por vacina. Em reação à vacina elas desenvolvem outras patologias'', diz.


