Porto Alegre, 10 (AE) - A ação judicial de indenização movida pela Adubos Trevo contra o Banco do Brasil pretende recuperar R$ 251,9 milhões em perdas provocadas "pela desastrada gestão administrativa" da instituição no período em que comandou a companhia. "Tais prejuízos merecem urgente e total reparação", afirma a ação encaminhada ontem ao Fórum de Porto Alegre, que acusa ainda o BB de "descumprimento do acordo" firmado em dezembro de 1997 junto a um comitê de dez bancos credores para a reestruturação financeira da empresa.
"A Trevisa (holding do grupo Trevo) cumpriu na íntegra seus compromissos mas os bancos não aportaram capital de giro como estava previsto no acordo", disse o presidente da empresa, Roberto Lindemann. De acordo com ele, a saída "unilateral" do Banco do Brasil do comitê de credores - do qual era coordenador - no mês passado foi um ato de "irresponsabilidade" que obrigou a Trevo a solicitar concordata preventiva, deferida no dia 29 de julho.
De acordo com o executivo, a Trevisa, na condição de controladora da marca Trevo, também vai acionar judicialmente o Banco do Brasil por "danos à imagem" da empresa. Neste caso, o valor a ser arbitrado ficará a critério do juiz. "Não há mais negociação possível. O dano só pode ser reparado mediante indenização", afirmou Lindemann, assegurando estar disposto a "ir até o fim" para salvar a companhia.
A maior parte dos R$ 251,9 milhões requeridos pela Trevo corresponde, segundo a ação, ao acréscimo de R$ 133,5 milhões sobre a dívida bancária original de R$ 106,2 milhões, estipulada em 1997, provocada pelo rompimento do acordo de renegociação resultante da desistência do Banco do Brasil. O valor adicional representa a atualização do débito desde a data de assinatura do contrato até 31 de julho passado, diz o documento.
A empresa reclama ainda R$ 105,9 milhões referentes a "lucros cessantes" estimados para os próximos seis anos, prazo restante de validade do contrato de refinanciamento original das dívidas. Os demais prejuízos foram provocados, segundo a Trevo, pela "ingerência" dos "administradores" nomeados pelos bancos credores", que assumiram a diretoria financeira da empresa em julho de 1997 e cargos como a presidência executiva e do conselho de administração de março deste ano até o mês passado.
Entre as atitudes que provocaram a "desgovernabilidade" da companhia, a ação cita importações de matérias-primas sem provisões para pagamento e a desistência unilateral de negócios previamente pactuados com a consequente imposição de multas. Relaciona ainda descontos injustificados nas tarifas cobradas dos clientes no terminal portuário de Rio Grande e nos preços de rochas fosfáticas extraídas da jazida de Lagamar (PR).
Lindemann ressalvou que mantém o "maior respeito" pelo BB "como instituição". "A disputa é com as pessoas que geriram a empresa", explicou. De acordo com ele, os demais nove bancos do comitê de credores estão renovando os termos do acordo referentes ao alongamento da dívida pelos próximos seis anos. "Eles também foram vítimas neste processo", comentou. Nos R$ 106,2 milhões repactuados em 1997, o Banco do Brasil tem créditos de R$ 51 milhões.
O presidente reconhece que a ação contra o BB será "longa". No entanto, na condição de concordatária a Trevo ganhou fôlego extra para pagar suas dívidas, ao mesmo tempo em que mantém as negociações com a norueguesa Norsk Hydro para a transferência do seu controle acionário.
"A empresa está operando com capacidade reduzida devido à falta de capital de giro e fazendo uma rotação muito grande dos estoques para comprar pouca matéria-prima e comercializar o máximo de toneladas", afirmou Lindemann. Segundo ele, a Trevo vendeu 6% a mais em volume no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 1998, enquanto o mercado apresentou queda de 20% no setor.

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