Adubos Trevo discute joint venture com grupo estrangeiro
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 29 (AE) - A Adubos Trevo S.A., em concordata preventiva desde 29 de julho deste ano, pretende anunciar no início do ano que vem a formação de uma "joint venture" com um grupo estrangeiro do setor. As negociações são complexas e vêm se desenvolvendo há meses, já que a empresa tem uma dívida superior a R$ 130 milhões com fornecedores e 11 instituições financeiras, e devem ser concluídas com a publicação de um "fato relevante" no primeiro trimestre de 2000, informou hoje (29) o presidente do grupo Trevo, Roberto Lindemann.
A Trevo busca uma parceria estratégia desde o final de 1998 como forma de garantir acesso a capital de giro e tecnologia. No ano passado, o mercado tinha como certa uma associação com a norueguesa Norsk Hydro, o que não se confirmou. Lindemann não revelou com quem está negociando agora e como será dividido o controle da futura "joint venture". Segundo ele, a solução será "excelente" para a companhia.
De acordo com o presidente, que é coordenador regional da Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (Cives), "a falência do modelo macroeconômico" do País impede o acesso das empresas nacionais a créditos externos mais baratos. Grande importadora de matérias-primas, a Trevo necessita de uma linha aberta de financiamento para capital de giro de US$ 100 milhões, disse.
Lindemann disse que está "otimista" com o futuro da Trevo. Segundo ele, a empresa está "enxuta" e operando em volumes "normais" para este período do ano. Em 1999 as vendas acumuladas, entretanto, deverão ficar em 520 mil toneladas de fertilizantes, ante 1,04 milhão em 1998. "Deixamos de vender 500 mil toneladas por falta de capital de giro."
O empresário quer definir a associação no primeiro trimestre de 2000 como forma de garantir capital para o período de maior aquisição de matérias-primas, em abril e maio. As vendas concentram-se nos meses de agosto a outubro, o que representa um giro de capital de cerca de 120 dias.
A situação da empresa gaúcha, que este ano ficará com pouco menos de 4% do mercado nacional do setor, tornou-se crítica no início de julho do ano passado, pouco antes da concordata. O problema foi causado pelo rompimento das negociações com o comitê de bancos credores, liderados pelo Banco do Brasil, que negociavam a reestruturação de uma dívida de R$ 106 milhões, em valores de 1997.
Como consequência, a Trevo entrou com uma ação, dia 9 de agosto de 1998, na Justiça gaúcha contra o BB, que teria abandonado "unilateralmente" as negociações. O valor da ação, que ainda aguarda sentença em primeira instância, é de R$ 251 milhões por conta de indenização, lucros cessantes e danos morais.
Além da produção de fertilizantes, a Trevo possui um terminal portuário em Rio Grande, que presta serviços para terceiros e este ano movimentará 1,6 milhão de toneladas de cargas. Em 1998 o volume foi de 1,87 milhão de toneladas e a queda não foi maior porque houve substituição de operações com adubos por outros produtos como carvão e cereais.


